Didi Hamann, ex-jogador que atuou no Liverpool por sete temporadas, fez duras críticas ao poder financeiro dos clubes da Premier League. Ele classificou como injusta a forma como equipes como Chelsea e os próprios Reds conseguem movimentar grandes quantias no mercado de transferências.
Para o ex-meia da seleção alemã, que falou aos canais alemães “RTL” e “Sky Sports”, a diferença econômica entre Inglaterra e Alemanha chegou a um ponto em que a própria disputa pela Champions League deveria ser questionada.
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Ex-Liverpool critica finanças dos clubes da Premier League
Em entrevista, Hamann afirmou que os clubes ingleses conseguem operar com déficits que seriam impensáveis na Alemanha, graças à capacidade de seus proprietários cobrirem os prejuízos. Para ele, a situação coloca em xeque a ideia de uma competição equilibrada no futebol europeu.
“Todos os clubes são deficitários. O Fair Play Financeiro foi introduzido e alguns clubes já foram até sancionados. Mas quando vejo o que Liverpool ou Chelsea estão fazendo… Isso é o Velho Oeste, é injusto”, afirmou.
A principal reclamação de Hamann está relacionada à diferença entre os modelos financeiros dos clubes ingleses e alemães. Segundo o ex-jogador, a existência de regras de controle financeiro não foi suficiente para impedir que clubes da Premier League continuassem movimentando valores muito superiores aos de seus concorrentes europeus.
Ele argumenta que os proprietários ingleses possuem capacidade de absorver prejuízos que não encontra paralelo no futebol alemão:
“Se você quer uma competição justa, precisa de igualdade de condições em algum nível. E, se isso não existe, então dizemos: ‘Vocês fazem a coisa de vocês e nós fazemos a nossa’”, declarou.
Hamann leva a discussão para a principal competição de clubes da Europa. Para ele, não faz sentido que clubes alemães sejam colocados para competir pelo mesmo título contra equipes que possuem uma capacidade de investimento muito superior.
“Só que, assim, em algum momento não precisaremos mais jogar a Champions League. Se os ingleses têm rombos de 100, 200 ou 300 milhões de libras e os donos cobrem esses buracos, o que é impossível na Alemanha, não podemos jogar a mesma competição”, afirmou.
A fala acontece um dia depois de uma janela de transferências histórica para a Premier League. Os clubes ingleses gastaram 3,528 bilhões de libras no verão europeu de 2026, mais do que as outras quatro grandes ligas europeias — LaLiga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1 — somadas.
O mercado também foi marcado por valores que há poucos anos pareciam inimagináveis. Quatro transferências para clubes ingleses superaram 100 milhões de libras, enquanto o Manchester City, sozinho, gastou aproximadamente 450 milhões de libras. Para Hamann, porém, a diferença financeira não significa necessariamente que o restante da Europa esteja fazendo um trabalho ruim.
“Pelo que a Inglaterra faz e pelos valores que circulam por lá, o resto da Europa nem está se saindo tão mal”, avaliou.
Hamann elogia Borussia Dortmund e Bayern de Munique
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Apesar das críticas à Premier League, o ex-jogador também avaliou positivamente o mercado de clubes alemães. Hamann destacou principalmente a estratégia do Borussia Dortmund de investir em jovens jogadores. A contratação de Ethan Nwaneri, vindo do Arsenal, foi apontada por ele como um exemplo do modelo que pode funcionar para o clube.
“Quando você traz tantos jovens, é claro que também precisa de jogadores mais velhos para guiá-los”, explicou. Para o alemão, jogadores como Nico Schlotterbeck, Waldemar Anton, Felix Nmecha e Serhou Guirassy terão papel importante não apenas dentro de campo, mas também na formação de uma geração mais jovem que chega ao elenco.
Sobre o Bayern de Munique, Hamann considerou que o clube fez uma janela dentro de parâmetros razoáveis. Nathaniel Brown e Ismael Saibari, citados pelo ex-jogador, seriam contratações com potencial para chegar ao time titular, enquanto o clube também conseguiu negociar jogadores que estavam fora dos planos.
Para o Hamann, se a diferença continuar aumentando e os clubes ingleses puderem contar com proprietários capazes de cobrir déficits milionários, talvez seja necessário repensar até mesmo a forma como a Europa disputa sua principal competição de clubes.
