Segundo a pasta espanhola, o objetivo das normas é garantir estabilidade no mercado. Entre os mecanismos previstos pela legislação da União Europeia está a possibilidade de retirada de parte da produção do mercado até a próxima campanha em caso de superprodução , uma medida pensada, sobretudo, para evitar quedas bruscas de preço que prejudiquem os produtores.
“O mecanismo é mais focado na direção oposta, para evitar uma queda acentuada nos preços, que poderia comprometer a lucratividade dos agricultores no caso de uma colheita extraordinariamente grande”, explica a pasta.
O ministério destaca, porém, que a existência da regra não significa que ela será aplicada: na safra anterior, mesmo classificada como “muito boa” pela pasta, a produção não ultrapassou o limite de 120% da média das seis temporadas anteriores , patamar que aciona o mecanismo de retirada.
O que isso significa para o Brasil
O comportamento do mercado espanhol afeta diretamente o Brasil, um dos maiores importadores de azeite do mundo. Entre 2023 e 2024, os consumidores brasileiros sentiram o impacto da seca na Península Ibérica, quando a garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar os R$ 50 nas prateleiras.
Segundo Scofano, no período, o país teve uma queda recorde na safra. “A Europa e, particularmente, a Península Ibérica, têm sido as regiões do mundo que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas, calores extremos, frios extremos e sobretudo a ausência de chuva. A Andaluzia vive um processo de desertificação. O que chove no Brasil em um único dia, em regiões como a Mata Atlântica ou até mesmo o pampa gaúcho, chove em um ano na Andaluzia. Há três anos nós tivemos uma grande crise de preços porque foi o auge de uma seca que vinha sendo prolongada há quase dez anos.”
