O grupo atribui o episódio a uma recente decisão da Justiça espanhola que barrou a expulsão imediata de migrantes interceptados no mar, que teria incentivado o “abuso” do sistema europeu de migração e asilo. E também culpou a política migratória mais permissiva de Sánchez, que lidera um governo de esquerda.
“Temos o dever de dissuadir de forma eficaz e combater sem tréguas a migração irregular, coordenando nossas ações, reforçando nossas fronteiras externas e abordando todas as políticas que possam atuar como fatores de atração, como a regularização de um grande número de migrantes irregulares”, afirma a carta.
Contudo, outros fatores não citados na carta à UE, incluindo tensões diplomáticas com o Marrocos, podem ter contribuído para a crise. O país árabe não reconhece oficialmente como territórios espanhóis Ceuta e Melilla, ambas no continente africano, e frequentemente se refere às duas cidades como áreas ocupadas, embora elas estejam há séculos sob domínio da Espanha.
Voltando à carta, os europeus destacam que o bloco não pode permitir “travessias massivas descontroladas”, a instrumentalização da migração ou outras ameaças híbridas que criem a percepção de que a entrada ilegal na UE é possível e pode resultar em permanência legal.
“Os acontecimentos dos últimos dias exigem uma resposta europeia imediata e coordenada. Saudamos a estreita cooperação entre Espanha e Marrocos para garantir o rápido retorno dos migrantes que entraram ilegalmente e o fato de que um grande número deles já tenha regressado. Confiamos que, com o apoio da União Europeia, a situação atual será plenamente controlada”, acrescentam.
Itália, Dinamarca e os demais signatários afirmam estar dispostos a “adotar todas as medidas necessárias, em conformidade com o Direito da União Europeia e o Código de Fronteiras Schengen, para salvaguardar a ordem pública e enfrentar os riscos decorrentes dos movimentos secundários, inclusive por meio do reforço ou da reintrodução temporária de controles nas fronteiras internas”.
