Por que 6 trabalhadores foram esfaqueados por colegas em 2 dias?

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Por que 6 trabalhadores foram esfaqueados por colegas em 2 dias?

É tentador, e muito conveniente para o sistema, tratar esses episódios apenas como surtos imprevisíveis de “monstros” isolados. A realidade, porém, aponta que o ambiente de trabalho funciona, não raro, como uma panela de pressão com a válvula entupida, onde os sinais de adoecimento mental são varridos para debaixo do tapete.

Os alertas de que uma tragédia está a caminho quase sempre existem, mas costumam ser ignorados. No caso de Jundiaí, o próprio agressor já havia comentado com superiores e funcionários que era capaz de cometer uma “grande loucura”. Testemunhas afirmaram que ele apresentava um comportamento agressivo e instável e que a administração já havia sido comunicada sobre as ameaças proferidas por ele.

Esse roteiro não é inédito. Por exemplo, em 2023, um maquinista da CPTM matou um colega a tiros após dizer que estava sendo humilhado no ambiente de trabalho. O detalhe que escancara a falha na gestão de pessoas revela que o atirador, que possuía um histórico de problemas psicológicos, havia retornado de um afastamento e teve um novo pedido de licença para tratamento recusado pela empresa antes de cometer o crime.

Quando a saúde mental do trabalhador é tratada como frescura, fraqueza ou um mero estorvo para as métricas de produtividade, o resultado costuma ser trágico.

Pessoas são esmagadas por assédio, sensação de perseguição e condições laborais deterioradas (frequentemente agravadas por modelos de terceirização), somadas à falta de amparo psicológico.

Não basta que as empresas emitam notas oficiais, protocolares e frias, lamentando o ocorrido e afirmando que “colaboram integralmente com as autoridades” somente depois que os corpos estão no chão.