Após uma trégua nos preços durante as expectativas de paz no início do verão, o petróleo voltou a subir com a nova escalada entre Washington e Teerã. O Brent era negociado acima de US$ 95 por barril nesta sexta-feira, ante cerca de US$ 70 antes da guerra.
A gasolina também encareceu, embora em ritmo menor. O galão da comum estava em média a US$ 4,15, ante US$ 3,20 há um ano e US$ 2,98 antes da guerra. Segundo a AAA, o combustível nunca havia superado US$ 4 por galão durante o feriado do Dia do Trabalho.
O avanço pode ampliar as dificuldades políticas dos republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro. Pesquisa AP-NORC realizada neste verão do Hemisfério Norte mostrou que dois em cada três adultos americanos desaprovavam a condução da economia pelo presidente Donald Trump.
Apesar do recorde nominal, o diesel já esteve mais caro em termos reais. O pico de quase US$ 5,82 por galão registrado em 2022 equivaleria a cerca de US$ 6,56 em valores de 2026, enquanto os US$ 4,74 observados antes da crise financeira de 2008 corresponderiam hoje a cerca de US$ 7,20.
A pressão tende a aparecer primeiro nos alimentos. Segundo a Independent Grocers Alliance, que reúne 7,5 mil supermercados, combustíveis representam de 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços de alimentos nos supermercados americanos subiram 2,7% em relação ao ano anterior, enquanto pescados avançaram 7% e frutas frescas, 4,9%.
David Ortega, professor de economia e política alimentar da Universidade Estadual de Michigan, explicou que parte do choque é inicialmente absorvida por contratos de frete existentes e pelas margens do varejo. “Mas, à medida que os contratos são reajustados e as sobretaxas de combustível entram em vigor, uma parcela maior desse custo chega aos supermercados”, afirmou.
