Com a temporada prestes a começar, o mercado de transferências da Premier League protagoniza histórias surpreendentes. Responsável pelas maiores cifras da janela, o futebol inglês mantém seu protagonismo na Europa com reforços badalados, mas também, pelas barganhas em meio à supervalorização dos jogadores.
A Trivela seleciona as cinco melhores contratações da Premier League até aqui não considerando apenas a grife de seu nome ou os valores envolvidos na transação, mas também, sua qualidade individual, identificação com o modelo de jogo do treinador e o encaixe às necessidades do elenco para 2026/27.
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Morgan Rogers — Chelsea
Morgan Rogers trocou o Aston Villa pelo Chelsea em uma transferência de 137,5 milhões de euros (cerca de R$ 804 milhões), a maior transação da janela inglesa. Sem entrar no mérito da fortuna investida, o meia-atacante inglês se encaixa no modelo de contratações dos Blues, que priorizam jovens talentos com potencial de desenvolvimento. Só que, nesse caso, ele já chega pronto ao elenco de Xabi Alonso.
Sob o comando de Unai Emery desde 2024, Rogers evoluiu exponencialmente nos Villans, tanto que alcançou 25 participações diretas em gols nas últimas duas temporadas. Crucial na conquista da última Liga Europa, o meia-atacante também foi peça importante na rotação de Thomas Tuchel durante a Copa do Mundo, que terminou com a Inglaterra em 3º lugar.
Capaz de atuar como armador, falso 9 ou nas duas pontas, Morgan Rogers tem sido constantemente elogiado pelo treinador espanhol, que o considera um dos pilares do projeto do Chelsea a longo prazo. Xabi Alonso chegou a dizer que “não havia muitas opções melhores” do que o meia-atacante de 24 anos no mercado — e a declaração não é um exagero.
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Mais do que a versatilidade, o inglês consegue criar espaços para seus companheiros com seus deslocamentos, além de finalização precisa de longa distância. Sua criatividade ofensiva, aliada à intensidade sem bola, pode suprir a carência do lado de esquerdo de ataque dos Blues, que não encontraram no passado uma unanimidade com Alejandro Garnacho, Pedro Neto ou Jamie Gittens.
O Chelsea vive processo de renovação assim como boa parte da Premier League e, sem calendário internacional, conseguiu garantir um dos alvos mais cobiçados do mercado interno. É verdade que as altas cifras podem pressionar o camisa 17 por atuações de alto nível logo de cara, mas a filosofia ofensiva e de controle de posse de bola dos Blues tendem a favorecer seu jogo.
Youri Tielemans — Manchester United
À procura de meio-campistas devido à saída de Casemiro para o Inter Miami e a grave lesão de Manuel Ugarte, o Manchester United tirou proveito da relação custo-benefício ao pagar a multa rescisória de Youri Tielemans junto ao Aston Villa por 41 milhões de euros (cerca de R$ 237 milhões). O belga é uma solução segura e experiente para Michael Carrick.
Com apenas 29 anos, Tielemans já pode ser considerado um veterano graças as suas passagens por Anderlecht, Monaco, Leicester e Aston Villa. Capitão da seleção, o meia agrega um perfil de liderança, assim como o volante brasileiro em Old Trafford, o que traz maior segurança a Kobbie Mainoo e Andrey Santos no setor. E no retorno à Champions League, é importante ter alguém “cascudo” para dividir a responsabilidade.
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Youri Tielemans é um achado dos Red Devils devido sua técnica apurada e consistência em jogos grandes, atuando como motorzinho e distribuidor de bolas que conectam defesa e ataque, cuja visão de jogo privilegiada resultam em passes que quebram linhas. Sem a bola, o novo camisa 18 apresenta muita inteligência tática para fechar espaços e atender às demandas do treinador inglês.
A criatividade de Tielemans também deve aliviar a dependência no último terço em Bruno Fernandes, que bateu o recorde de assistências na Premier League em 2025/26. E com o mercado inflacionado, ter um jogador que reúne tantas valências por um valor tão baixo é uma verdadeira jogada de mestre do Manchester United, ainda mais levando em consideração a familiaridade do meia belga com o futebol local.
Mamadou Sangaré — Brentford
Fora do Big Six, o Brentford fez uma das contratações mais subestimadas desta Premier League ao fechar com Mamadou Sangaré por 41 milhões de libras (cerca de R$ 288,2 milhões). Logo em sua temporada de estreia, o volante malinês foi um dos principais nomes do Lens vice-campeão da Ligue 1, tanto que entrou para a seleção do campeonato, e no título inédito da Copa da França em 2025/26.
Sangaré é um típico camisa 5, referência em recuperações de bola (3ª maior média nas cinco principais ligas europeias) e ganhos de posse no campo de defesa adversário (2ª maior média nas cinco principais ligas). O reforço dos Bees também se provou exímio interceptador de passes, é forte nos duelos homem a homem e preciso nos desarmes.
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E com a Inglaterra cada vez mais pautada pela fisicalidade, Mamadou Sangaré se encaixa como uma luva no sistema de Keith Andrews para cumprir o papel de destruidor de jogadas adversárias. Já com a bola no pé, o volante também é especialista nas inversões de jogo, o que permitirá ao Brentford conquistar terreno de jogo em rápidas transições ofensivas.
Na última temporada, os Bees brigaram pela primeira classificação a competições europeias de sua história, cujo objetivo ficou próximo de ser alcançado. Com a chegada do malinês, o treinador irlandês ganha uma importante adição para desafiar os favoritos do campeonato. Sangaré deve precisar de tempo para se adaptar ao novo país, porém, suas experiências prévias na Bélgica e Áustria mostram rápida adequação.
Sandro Tonali — Tottenham
Após a luta dramática contra o rebaixamento na Premier League 2025/26, o Tottenham investiu pesado nesta janela de transferências. E para voltar a brigar pela parte de cima da tabela, os Spurs tiraram Sandro Tonali do Newcastle por 100 milhões de libras (cerca de R$ 692 milhões). Sob o comando de Roberto De Zerbi, o volante italiano será o coração do meio-campo dos Spurs.
Tonali mostrou que era diferente desde os tempos de Brescia e Milan e, após cumprir a suspensão por apostas, também brilhou nos Magpies de Eddie Howe, apesar da oscilação na última temporada. Aos 26 anos, o volante vive seu auge técnico e físico, e aspectos que têm faltado ao Tottenham no passado recente: alguém capaz de ditar o ritmo de jogo, seja conduzindo a bola ou com passes rápidos.
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O italiano traz dinamismo e proatividade, duas máximas indispensáveis para a metodologia do treinador dos Spurs. Já em situações defensivas, Sandro Tonali apresenta perfil agressivo para recuperar a posse de bola, além de fôlego invejável para cobrir cada pedaço do gramado, cuja força e velocidade prometem transformar a maneira que o Tottenham progride rumo ao ataque.
Ao contrário de Mateus Fernandes e seu crescimento a longo prazo, o novo camisa 16 já é uma realidade no futebol inglês, mas ainda com muito anos pela frente em alto nível. Sandro Tonali também não teve tantas lesões na carreira e, ao relembrar o drama dos Spurs com o departamento médico nos últimos anos, De Zerbi pode ficar feliz pela disponibilidade constante de um meio-campista que é o pacote completo do setor.
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João Gomes — Aston Villa
Por último, mas não menos importante, o Aston Villa fez de tudo para assinar com João Gomes, rebaixado com o Wolverhampton na Premier League em 2025/26. Titular do lanterna inglês, o volante brasileiro custou 38 milhões de libras (cerca de R$ 260 de milhões), e será fundamental para as pretensões do treinador espanhol em continuar como sensação da liga e ir longe na Champions.
Em três anos e meio nos Wolves, João Gomes se consolidou como um dos melhores recuperadores de bola da Premier League, inclusive mantendo a regularidade apesar da campanha desastrosa da equipe. O volante de 25 anos demonstra muita garra e determinação para vencer os duelos corpo a corpo à frente da defesa, suprindo uma carência urgente dos Villans.
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Além das saídas de Tielemans e Rogers, Emery perdeu Amadou Onana para a primeira metade de 2026/27 por uma grave lesão sofrida na Copa do Mundo. Com o meio-campo em claro processo de reformulação, o brasileiro já chega ao Villa Park com status de titular e, por já ter abraçado o protagonismo precoce desde os tempos de Flamengo, a pressão não deve afetar seu desempenho.
Mais do que combatividade, João Gomes também sabe trabalhar com bola, tanto em espaços fechados, quanto em campo aberto para avançar com a posse. Com o objetivo de entrar no radar de Carlo Ancelotti para o ciclo da seleção brasileira para a Copa de 2030, o novo camisa 35 do Aston Villa tem o contexto perfeito para ter seu jogo potencializado pelo comandante espanhol.
