A epidemia de ebola, que se propaga em um ritmo sem precedentes, tornou-se nesta segunda-feira (17) a mais letal da história da RDC (República Democrática do Congo), superando em apenas três meses as 2.300 mortes registradas no surto de 2018 a 2020.
A epidemia “é a de propagação mais rápida já registrada e mata uma pessoa a cada 30 minutos”, alertou na semana passada o secretário de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher.
No momento, não há nenhuma vacina nem tratamento disponível para a variante Bundibugyo, que provocou a atual epidemia.
Após o surgimento na província de Ituri, a 17ª epidemia da história do país se propaga rapidamente pelas províncias do leste e nordeste do país africano, onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é precária.
O irmão de Flavier Ngurima faleceu pouco antes de chegar ao centro de tratamento (CTE), em Ituri, um dos principais epicentros da epidemia.
“Nós chamamos uma enfermeira de confiança para atendê-lo em casa, já que tanto ele quanto seus familiares tinham medo de comparecer ao CTE. Diziam que muitas pessoas morrem lá”, conta.
Esse não é um caso isolado. No território de Djugu, em Ituri, as pessoas acreditam “que se trata de um envenenamento ou de outras doenças”, explica Jean-Paul Malo Lotsima, um líder local.
“Por acreditarem nisso, somente no último momento, quando a família observa que a situação piora, eles levam os doentes ao hospital. E às vezes, eles morrem no caminho”, explica.
Mohamed Janabi, diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a África, afirma que “mais de 70% das pessoas morrem na comunidade”, e não nos CTE.
O atual surto deixou 2.325 mortos e 4.945 casos confirmados, superando os números de mortalidade da epidemia de 2018-2020 no leste da RDC, que deixou 2.299 mortos e 3.381 casos confirmados.
Os primeiros meses do surto provocaram sete vezes mais contágios e cinco vezes mais mortes do que os três primeiros meses da pior epidemia de ebola da história, que afetou o oeste da África em 2014, segundo a Agência de Saúde da União Africana (Africa CDC).
Em Bunia, capital de Ituri, onde quase 90% dos casos foram registrados desde meados de maio, as medidas para combater a epidemia são mínimas, apesar da urgência da situação.
Além disso, as pessoas continuam aglomeradas nos mercados, sem respeito às medidas de proteção, observou um correspondente da AFP.
“A participação da comunidade na resposta continua insuficiente”, destaca Janabi.
Além disso, Uganda, país vizinho da RDC, registrou 20 casos confirmados —incluindo duas mortes—, mas anunciou em meados de julho que não tinha mais casos ativos do vírus.
A Organização Mundial da Saúde declarou na quarta-feira que espera reverter a tendência de alta da epidemia de ebola na RDC em um prazo de três meses.
