Espaço para cortes nos juros
Essa prevista trajetória reflete a dissipação dos choques do petróleo, com origem na guerra no Oriente Médio, a partir de março, a contenção nas altas da cotação do dólar, o bom comportamento sazonal na oferta de alimentos e, de um modo geral, uma tendência de freio na atividade econômica.
Tal quadro tem levado economistas a convergir para a expectativa de que o ciclo de cortes nas taxas básicas de juros (taxa Selic), atualmente em 14% ao ano, continuará além de um último, em setembro, de 0,25 ponto percentual, fechando 2026 a 13,75%.
Embora o fecho do ano com Selic a 13,75% ainda seja o prognóstico exibido pelo Boletim Focus, que reúne as previsões do mercado financeiro, depois do IPCA-15 de agosto, analistas têm avançado na expectativa de outras reduções de 0,25 ponto em novembro e dezembro, com a Selic, assim, podendo encerrar o ano a 13,25%.
A intensidade da deflação em agosto teve como responsáveis o corte de preços de itens voláteis — passagens aéreas, por exemplo —, queda nos preços dos combustíveis, também beneficiados por subsídios, recuos sazonais em alimentos e, principalmente, a influência de um evento pontual, no setor de eletricidade, o pagamento a consumidores de bônus da hidrelétrica de Itaipu. Sem o bônus de Itaipu, o IPCA-15 de agosto ainda registraria deflação, mas menos intensa, de 0,1%.
Fase mais benigna
Os preços no setor de serviços também estão moderando, mas devagar. Mostram o efeito de um período prolongado de juros altos, promovendo contenção da atividade, “boicotado” pelos programas de injeção de recursos e de facilidades de crédito na economia. Tudo limitado por um ambiente de endividamento e inadimplência recordes.
