
Terremoto na Colômbia: número de mortos sobe para 294
Na Colômbia, o número de mortos pelo terremoto que atingiu o país na segunda-feira (10) subiu para 294, de acordo com a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD). O órgão ainda aponta que 320 pessoas seguem desaparecidas, além de que, até o momento, são 3.935 pessoas feridas, 14.493 casas destruídas e 81.506 casas danificadas.
Milhares de colombianos vivem em acampamentos enquanto as equipes de resgate procuram sobreviventes entre os escombros. Cinco dias depois do tremor, a expectativa de encontrar alguém com vida diminuiu.
“Temos apenas um local onde há sinais de vida”, diz Alberto Hernández, capitão dos bombeiros de Cali, à Reuters. “Nos outros pontos, infelizmente, estamos na fase de recuperação de corpos.”
Hernández afirma que a retirada dos corpos deve ser concluída até domingo (16). Depois disso, as equipes começam a usar maquinário pesado para remover os escombros.
Em Cali, terceira maior cidade do país, com mais de 2 milhões de habitantes, os socorristas trabalham em um conjunto formado por quatro torres de cinco andares cada uma. Eles não sabem dizer quantas pessoas ainda podem estar sob a estrutura, segundo informações da GloboNews.
A janela de 72 horas, período em que há maior probabilidade de localizar um sobrevivente, se fechou na manhã de quinta-feira (13). Ainda assim, as equipes não descartam a possibilidade de encontrar alguém com vida e dizem que vão trabalhar até que todas as alternativas se esgotem. Nenhum sinal de vida humana foi encontrado no local recentemente.
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Bombeiro trabalha na busca por vítimas do terremoto em Cali, na Colômbia, neste sábado (15)
Sergio Acero/Reuters
Falta de cobertores e comida em abrigos
Em Pereira, na região cafeeira do país, centenas de pessoas passaram a noite em colchonetes ou barracas em um abrigo improvisado em um parque. Os coordenadores relatam falta de cobertores, barracas, produtos de higiene e alimentos.
Um relatório da unidade de gestão de desastres aponta que 14.493 casas foram destruídas e 81.506 ficaram danificadas. Centenas de pessoas dormem ao relento em abrigos e aguardam para saber se os prédios atingidos correm risco de desabar.
Em Medellín e Bogotá, milhares de pessoas foram a centros de doação entregar alimentos, roupas e remédios para as áreas mais atingidas.
Pedido de suspensão de tarifas a Trump
O terremoto é o primeiro grande teste do presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há uma semana e agora comanda as ações de socorro e reconstrução.
Ele foi criticado pela condução das primeiras horas, em especial por não aceitar ofertas de equipes de resgate de alguns países. As autoridades depois receberam equipes de Israel e dos Estados Unidos. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta semana que havia colocado equipes à disposição, mas o governo colombiano recusou a ajuda.
De la Espriella disse neste sábado que falou por 10 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, Trump apresentou condolências, e o colombiano pediu a suspensão temporária das tarifas sobre produtos do país para ajudar empresários.
“Hoje, mais do que nunca, a aliança entre a Colômbia e os Estados Unidos é essencial para a reconstrução de nossa amada nação”, escreveu De la Espriella no X.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters.
O que se sabe sobre o terremoto
➡️ O terremoto, de magnitude 7,4, foi o mais forte a atingir a Colômbia nos últimos dez anos. O epicentro foi a região de Chocó, no oeste do país, perto da costa do Pacífico. Os estados de Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas também sentiram fortemente os efeitos, com mortos e destruição.
O terremoto derrubou prédios residenciais e danificou escolas, igrejas, hospitais e casas do porto de Buenaventura, no Pacífico, até a região cafeeira e as principais cidades do oeste. Os estados de Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas também sentiram fortemente os efeitos.
“Infelizmente, estamos chegando a um ponto em que a probabilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas nossa missão é continuar procurando e encontrar todas as pessoas que foram dadas como desaparecidas”, disse David Tamayo, chefe da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres da Colômbia.
O Exército colombiano participa dos trabalhos de resgate nas cidades mais atingidas, como Cali, Pereira e Manizales.
Na quarta-feira (12), o governo declarou situação de desastre nacional por 12 meses nos estados de Antioquia, Caldas, Cauca, Chocó, Quindío, Cundinamarca, Risaralda, Huila, Valle del Cauca, Tolima, Putumayo e Norte de Santander.
A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de dois milhões de euros (cerca de R$ 11,9 milhões) para apoiar as operações de resgate.
Buscas por vítimas nos escombros por conta do terremoto continuam em Cali, na Colômbia, neste sábado (15)
Sergio Acero/Reuters
