Depois de construir uma carreira que atravessa diferentes países e mercados, Tiago Barbosa está de volta aos palcos brasileiros para interpretar Max Overseas em “Ópera do Malandro”, em reta final no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, onde fica até 30 de agosto.
O retorno reuniu razões profissionais e afetivas: além da oportunidade de protagonizar um clássico de Chico Buarque, o convite surgiu em um intervalo entre seus compromissos no exterior e permitiu que o ator se reencontrasse com a família e com o público que acompanha sua trajetória.
“As três coisas são importantes na tomada de decisão: o personagem, a obra e a vontade de reencontrar o público brasileiro. Claro que o apelo familiar sempre será muito forte, mas tudo depende também do momento profissional que eu estiver vivendo lá fora. Desta vez, havia uma pausa entre um trabalho e outro e surgiu uma grande oportunidade de rever a família, trabalhar com um diretor que admiro muito, integrar uma produção impecável e interpretar um texto que é um clássico. Tudo cooperou”, afirma, em entrevista exclusiva ao portal Amaury Jr., no UOL.
Sedutor, ardente e transgressor, Max está distante da personalidade reservada do ator. Foi justamente essa oposição que tornou o processo especialmente desafiador.
“O Max está muito longe da minha realidade. Sou um homem reservado e bastante analítico, enquanto ele está voltado para fora, é sedutor ao extremo e usa tudo a seu favor. Somos dois estrategistas, mas cada um à sua maneira. Fazer esse personagem exigiu que eu saísse do meu lugar comum, tanto artística quanto pessoalmente”, conta.
A experiência acumulada nos palcos internacionais foi uma das principais ferramentas para enfrentar a intensidade do papel, construído em um período curto de preparação.
“Aprendi a fazer dez shows por semana mantendo a mesma qualidade artística e a mesma visceralidade. Isso me ajudou muito a desenvolver a resistência física necessária para cada personagem, e com o Max não foi diferente. Tivemos pouco tempo de preparação, mas foi tudo muito intenso e com bastante supervisão”, explica.
Mais do que um novo trabalho, “Ópera do Malandro” também representa a oportunidade de voltar à língua, aos códigos culturais e à relação particular que o público brasileiro estabelece com seus artistas. Para Tiago, a distância tornou ainda mais evidente o valor desse vínculo.
“Eu sentia muita saudade do Brasil e do público brasileiro. A maneira como o público daqui trata o artista é muito singular. Tenho realizado trabalhos importantes no exterior, mas nada possui o mesmo peso de atuar para uma plateia que conhece e acompanha a minha trajetória artística.”
A passagem pelo Brasil será breve. Depois de viver Max, Tiago seguirá para Paris, onde integrará a produção de “Black Legends”. Embora ainda não conheça todos os detalhes de seu novo personagem, ele acredita que levará consigo o amadurecimento proporcionado pela experiência brasileira.
“O processo de construção do Max me amadureceu ainda mais. Ele me mostrou que era possível criar, em tão pouco tempo, um personagem complexo e dentro de uma linguagem tão específica. Sem dúvida, levarei esse aprendizado comigo”, conclui.
