Veto europeu à carne põe rastreabilidade do gado brasileiro à prova

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Veto europeu à carne põe rastreabilidade do gado brasileiro à prova

As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e de medicamentos reservados ao tratamento de determinadas infecções humanas. Essas exigências também se aplicam aos produtos importados, segundo a Comissão Europeia.

A decisão não significa, por si só, que tenham sido encontrados resíduos irregulares em toda a carne brasileira. O motivo formal foi a avaliação de que as garantias apresentadas pelo país não eram suficientes para assegurar o cumprimento das novas regras em toda a cadeia produtiva.

O governo brasileiro contesta a medida. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores afirmaram ter entregado documentos sobre os sistemas de controle de bovinos, aves, pescados, ovos e mel. O governo diz que continuará negociando a reversão da restrição e não descarta recorrer à Organização Mundial do Comércio. Nesta sexta-feira (4), o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill, afirmou que a decisão do bloco pode ser revertida se o Brasil demonstrar conformidade com os requisitos.

Europa compra pouco em volume, mas paga mais

A União Europeia representa uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras de carne bovina, mas é um mercado de alto valor agregado. Em 2024, o bloco comprou 81,5 mil toneladas, por aproximadamente US$ 594 milhões. O volume correspondeu a cerca de 4,6% das exportações brasileiras do produto, segundo dados do Ministério da Agricultura. Para Ivo Martins Alves Filho, consultor em rastreabilidade animal da Bovpartners, a perda desse mercado mostra que adiar a identificação individual dos animais pode gerar custos financeiros e estratégicos.

Quando você não toma uma decisão e fica à mercê do mercado, acaba perdendo oportunidades enormes na parte financeira e no posicionamento estratégico.
Ivo Martins Alves Filho, da Bovpartners