Agora, cabe à Justiça Federal aceitar ou não a denúncia. O MPF pede a condenação dos acusados pelos crimes de organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
Como funcionava
A travessia clandestina custava entre R$ 50 mil a R$ 100 mil por pessoa. As vítimas eram obrigadas a entregar veículos, assinar notas promissórias, formalizar termos de confissão de dívida e outorgar procurações para a alienação de imóveis em favor de operadores do esquema, mostrou a investigação.
Suspeitos ainda obrigavam os viajantes a gravarem vídeos durante a jornada agradecendo pelo serviço. A estratégia era captar novos interessados, mas a realidade encontrada pelas autoridades era oposta: “Viajantes, incluindo crianças, eram submetidos a condições degradantes em casas de apoio superlotadas, expostos à privação de água e alimentação, além de risco real de violência, extorsão e sequestro por cartéis nas rotas clandestinas.”
O grupo adulterava cartões de vacina e usava documentos de proteção humanitária falsificados para facilitar a entrada dos brasileiros no México. As investigações apontam ainda o envolvimento de operadores internacionais e de um “coiote”, brasileiro radicado no México, que recepcionava os migrantes e organizava o trajeto terrestre para a travessia da fronteira.
Além disso, usavam o metódo conhecido como “cai-cai”, em que adultos são incentivados a realizar travessias com crianças para reduzir o risco de deportação imediata. Ao chegarem ao destino, os brasileiros eram orientados a descartar passaportes, vistos e documentos falsos antes de se entregarem à imigração americana. Tnham ainda advogados custeados pelo grupo criminoso sob a condição de não entregarem o esquema criminoso.
