Sem lei federal, estados e empresas criam regra própria para IA na educação

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Na Universidade Federal de Goiás, o primeiro bacharelado brasileiro em Inteligência Artificial oferece 40 vagas anuais e dura oito semestres. A formação se conecta ao Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), que reúne pesquisa, projetos com empresas e desenvolvimento de aplicações. Em 2026, o Letrar.IA, da UFG, foi selecionado pelo MEC para testar IA em práticas de alfabetização inclusiva nos anos iniciais.

O Instituto Federal Goiano acrescentou três cursos técnicos integrados em IA, iniciados em 2026 em Ceres, Hidrolândia e Rio Verde. UEG, IFG, Senai, Senac e instituições privadas completam a oferta com sistemas de informação, desenvolvimento de software, ciência de dados, cibersegurança, redes, automação e internet das coisas.

A primeira graduação em IA da PUC-Rio tem alta procura. Na seleção de inverno de 2025, foram 57 candidatos para 30 vagas, 1,9 por vaga. No vestibular para o primeiro semestre de 2026, 105 candidatos disputaram as mesmas 30 vagas, 3,5 por vaga. Uma terceira seleção, para o segundo semestre de 2026, já foi concluída.

O acesso tem preço. A mensalidade de referência saiu de R$ 6.137 em 2025 para R$ 6.561 em 2026, para 23 a 24 créditos. O programa Behring Tech oferece bolsas de 30%, 50%, 70% e 100%, com até cinco bolsas integrais. A aposta da PUC-Rio é formar tecnicamente e humanisticamente ao mesmo tempo.

O curso nasceu de uma doação. A Fundação Behring anunciou R$ 35 milhões em dezembro de 2024 para criar o Instituto PUC-Behring de Inteligência Artificial, depois ampliados para R$ 45 milhões. É descrita como a maior doação da história da universidade. O reitor da PUC-Rio, o jesuíta Anderson Pedroso, também preside até 2028 a organização regional das universidades católicas da América Latina.

Fora desses dois polos, os estados testam modelos pouco comparáveis entre si. A Bahia publicou diretrizes estaduais e abriu 500 vagas de formação. O Mato Grosso declarou o uso de ferramentas como Letrus, Gemini e NotebookLM nas 630 escolas da rede estadual, uma escala anunciada pela própria secretaria, sem avaliação independente localizada.