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Além de ser um ícone da música, a cantora norte-americana Dolly Parton, que faleceu nesta semana nos Estados Unidos, aos 80 anos, também foi uma apoiadora da ciência em vida.
No auge da pandemia de covid-19, em 2020, sua fundação doou U$1 milhão ao Vanderbilt University Medical Center para o desenvolvimento de uma das primeiras vacinas contra o coronavírus, criada pela farmacêutica Moderna. A fórmula tem 95% de eficácia e foi uma das mais usadas do mundo.
Parte desse dinheiro financiou os primeiros estudos clínicos em humanos com o imunizante, feito à base de RNA mensageiro. A tecnologia, hoje famosa e injustamente alvo de controvérsias, já é usada em doses contra a gripe e como tratamento do câncer. Não à toa, pesquisadores envolvidos em seu desenvolvimento receberam o Prêmio Nobel em 2024.
Em 2021, Parton apareceu em um vídeo anunciando que havia chegado a sua vez de tomar a vacina. “Finalmente vou tomar minha dose, esperei muito tempo por ela. Sou velha o bastante e esperta o bastante para isso”, disse.
A artista chegou a cantar uma versão adaptada de seu maior sucesso, Jolene, para encorajar as pessoas a se vacinarem também. Assista:
Seu nome aparece, inclusive, nos agradecimentos do primeiro estudo clínico com a vacina, publicado no prestigiado New England Journal of Medicine:

Essa não foi a única vez que Parton colaborou com a ciência e a saúde pública. Ela chegou a realizar concertos e gravar álbuns com renda revertida para a construção de hospitais, o financiamento de centros de tratamento oncológicos e a pesquisa sobre doenças infecciosas que acometem crianças.
Morte de Dolly Parton
Dolly Parton morreu na terça-feira (25), aos 80 anos, após receber um diagnóstico de câncer nos meses anteriores — informação revelada pela assessoria da artista somente depois do óbito, sem especificar o tipo de tumor. O comunicado informou que a cantora faleceu após uma “breve batalha”, cercada pela família em um hospital oncológico de Nashville.
Nos meses que antecederam a morte, Parton já vinha enfrentando outros problemas de saúde — como desidratação, tontura, cálculos renais e complicações autoimunes —, que ela atribuiu, em parte, a uma “negligência” consigo mesma enquanto cuidava do marido, Carl Thomas Dean, morto em março de 2025.
Apesar dos sucessivos cancelamentos na agenda e da preocupação levantada por familiares nos últimos meses, Dolly seguiu ativa até os dias finais.
Na última entrevista concedida em vida, à revista People poucos dias antes de morrer, ela buscou tranquilizar os fãs e ainda anunciou planos para um museu sobre sua trajetória em Nashville.
