Ações da Casas Bahia disparam 65% e voltam a preço pré-recuperação

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Ações da Casas Bahia disparam 65% e voltam a preço pré-recuperação

Empresa terá de negociar a dívida em duas frentes. Dentro da recuperação judicial, a Casas Bahia tentará reestruturar os R$ 17,3 bilhões incluídos no processo. Paralelamente, terá de negociar os R$ 11 bilhões em créditos extraconcursais, que incluem valores devidos a bancos, fundos, fornecedores e ao Fisco.

Recuperação judicial envolve cerca de 28 mil credores. A lista inclui instituições financeiras, fornecedores, trabalhadores e partes envolvidas em processos cíveis. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmaram que planos de recuperação podem prever descontos de até 95% sobre determinadas dívidas e longos prazos para pagamento, mas as condições dependerão do plano apresentado pela companhia e da negociação com os credores.

Credores sem garantias estão entre os mais expostos a perdas. Os chamados credores quirografários respondem por cerca de R$ 16,4 bilhões do passivo incluído na recuperação judicial. Fornecedores também podem enfrentar descontos e alongamento dos pagamentos, embora sejam importantes para a manutenção das operações e do abastecimento das lojas.

Ação despencou após pedido de recuperação

Casas Bahia pediu recuperação judicial em 16 de agosto. No primeiro pregão depois do anúncio, em 17 de agosto, as ações despencaram 33,33%, de R$ 0,66 para R$ 0,44. O mercado passou a avaliar os riscos envolvidos na reestruturação de R$ 17,3 bilhões em passivos e na capacidade da varejista de preservar caixa e manter suas operações.

Disparada desta segunda-feira recuperou a queda inicial provocada pelo pedido. Ao fechar novamente a R$ 0,66, o papel retornou ao preço de 14 de agosto, antes da recuperação judicial. O movimento, porém, não significa que a situação financeira da companhia tenha voltado ao estágio anterior: a Casas Bahia continua com R$ 28 bilhões em dívidas e ainda terá de negociar a reestruturação dos passivos dentro e fora do processo judicial.