A Nestlé tomou ciência do decreto presidencial da Rússia, publicado ontem, que coloca a Nestlé Rússia sob administração externa temporária. A empresa está avaliando a situação e as opções disponíveis. A Nestlé está comprometida em adotar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações, no interesse de todas as partes interessadas, especialmente de seus colaboradores. Nestlé, em comunicado aos investidores
Analistas de mercado avaliam que o confisco eleva o risco sobre a recuperação financeira das empresas afetadas. Embora o banco Vontobel aponte impacto limitado de 1% nas vendas globais da Nestlé, o J.P. Morgan alertou para a incerteza em resgatar valores dos ativos de forma similar ao ocorrido com a Danone.
Entenda o caso
O decreto emitido ontem à noite pelo presidente russo Vladimir Putin transfere o controle de ativos da Nestlé e de varejistas francesas para uma administradora russa. A medida atinge os negócios locais da Nestlé, além das redes francesas Auchan, FM Logistic e Leroy Merlin, rebatizada de Lemana Pro na Rússia. A rede de supermercados Auchan possui forte presença na Rússia, onde opera 241 pontos de venda e conta com mais de 33 mil empregados.
O Kremlin diz que o confisco se deve ao apoio da França à Ucrânia, com quem a Rússia está em guerra desde 2022. Muitas companhias ocidentais deixaram o país ou diminuiram operações desde o início do conflito.
As autoridades russas têm endurecido as regras de saída para empresas estrangeiras e confiscado marcas multinacionais. Em 2023, o governo de Moscou assumiu o controle da Danone, que depois foi vendida para um sobrinho do líder checheno Ramzan Kadyrov, e deteve ativos da Carlsberg, Uniper e Fortum.
