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Na ampla variedade de chás que são utilizados tradicionalmente pelos brasileiros para aliviar quadros de tosse, poucos são tão populares quanto o chá de guaco.
Produzido a partir da infusão de plantas do gênero Mikania, o guaco é cultivado em todo o território brasileiro, o que ajudou a difundi-lo como uma receita caseira frente a desconfortos respiratórios. Estudos confirmam que compostos encontrados nesse vegetal realmente exercem ação broncodilatadora e antitussígena, e não é à toa que ele é incluído em alguns xaropes dedicados a minimizar esse incômodo.
Mas se o uso é tão consagrado, por que ainda se recomenda cautela ao oferecer chá de guaco para crianças? Entenda melhor as restrições e cuidados com o uso da infusão nos pequenos.
Xarope ou chá de guaco: o que é melhor?
De modo geral, chás são contraindicados para bebês muito pequenos – até os seis meses, nenhum tipo de alimento ou bebida além do leite materno (ou, quando necessário, fórmula específica) deve ser oferecido à criança. Depois disso, a situação muda, mas ainda são necessários alguns cuidados.
O grande ponto de atenção é a ausência de estudos robustos atestando a segurança e eficácia do chá de guaco para aliviar tosses nessa faixa etária. Ele costuma ser totalmente contraindicado até por volta dos 2 anos e, mesmo após essa etapa, o mais indicado é oferecer com parcimônia e sempre ouvindo um pediatra antes.
Isso se deve ao fato de não dá para ter certeza absoluta da dose de cumarina – a substância responsável por grande parte dos benefícios do guaco – encontrada em uma preparação caseira.
A superdosagem dessa substância pode provocar sintomas como vômitos, diarreia e aumento da frequência cardíaca, além de potencializar os efeitos de anticoagulantes, quando esses medicamentos estão sendo empregados por alguma razão.
Na infância, costuma ser mais seguro utilizar o xarope elaborado com guaco em vez do chá, porque sua produção segue padrões que garantem uma dosagem estável. Procure sempre as versões com liberação para uso pediátrico (que geralmente usa os 2 anos como idade mínima) e siga rigorosamente as instruções da bula em relação ao volume e periodicidade que o fármaco pode ser oferecido.
Busque orientação médica diante de sintomas persistentes ou de sinais de qualquer problema imprevisto, como febre alta, vômitos, diarreia ou outras complicações.
Tosse nem sempre exige medicação
A vontade de aliviar o desconforto de uma criança que tosse constantemente pode falar mais alto na hora de recorrer a soluções caseiras, mas é importante frisar: na maioria dos casos, a tosse não exige remédios, xaropes ou chás, por mais incômoda que seja.
Em seus materiais de orientação às famílias, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ressalta que “a tosse, por ser um mecanismo de defesa normal do organismo, em sua grande maioria, tem uma resolução espontânea, sem uso de medicamentos específicos”.
A entidade ainda destaca aos pais e cuidadores que, em casos de resfriados, é comum a tosse persistir por cerca de 10 dias ou mais, sem que isso seja indício de problemas mais sérios.
Diante de uma tosse que não cessa mesmo após vários dias, a recomendação é procurar um pediatra para avaliar as causas. O guaco e outros xaropes ou chás atuam apenas para aliviar os sintomas, mas não agem contra a causa de fundo que gerou a tosse.
Para sanar o problema, pode ser necessário fazer um tratamento próprio para a doença original, que só pode ser definido após o diagnóstico de um médico.
