Anúncios falsos na Meta usam Bolsa Família para aplicar golpes

Início Ciência Anúncios falsos na Meta usam Bolsa Família para aplicar golpes
Anúncios falsos na Meta usam Bolsa Família para aplicar golpes

No modelo de governança atual, as plataformas digitais criam condições favoráveis à expansão desse mercado fraudulento: sistemas de publicidade microssegmentada, que facilitam o alcance das potenciais vítimas, associados a um ambiente de anonimato e baixa transparência, que dificulta a identificação dos envolvidos.
Trecho do relatório “Fraudes digitais como questão de segurança pública: Como a Meta lucra com anúncios fraudulentos sobre políticas públicas”

Em ordem, os programas do governo mais explorados em anúncios impulsionados são:

  • Valores a Receber (345 anúncios)
  • Brasil Sorridente (230 anúncios)
  • Minha Casa Minha Vida (67 anúncios)
  • Auxílio Gás (62 anúncios)
  • Bolsa Família (31 anúncios)
  • CNH do Brasil (30 anúncios)
  • Carteira de Trabalho (29 anúncios)
  • Desenrola Brasil (19 anúncios)

Golpes exploram a confiança nas instituições públicas e no interesse pelos benefícios sociais. Muitos deles contam com identidade do governo, muitas vezes criados com inteligência artificial, e direcionam as vítimas para ambientes controlados por golpistas —como páginas fraudulentas (imitando as oficiais) ou contato via aplicativo de mensagem. Neste último ambiente ocorrem os estágios finais da fraude ou a monetização, como a solicitação de dados ou de pagamentos para liberar o “benefício” do programa.

Anúncios fraudulentos usam identidade de programas sociais do governo para enganar as pessoas
Anúncios fraudulentos usam identidade de programas sociais do governo para enganar as pessoas Imagem: Reprodução

O relatório diz que anúncios tinham múltiplas versões para ter mais efeito com diferentes públicos. 17% dos anúncios usavam o recurso de criativo dinâmico da Meta, que combina imagens, títulos e textos baseados no perfil das pessoas. Em exemplo da pesquisa, para algumas pessoas aparecia um deepfake do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG), para outras o depoimento de uma suposta beneficiária do programa e para outras apenas uma foto de uma cidade.