As diferenças são explicadas, em parte, pelas metodologias adotadas. Um banco pode medir quanto a soma dos lucros superou as projeções, enquanto outro calcula quantas empresas entregaram resultados melhores do que o esperado. Assim, poucas companhias de grande porte podem elevar o lucro agregado mesmo que a maioria não tenha surpreendido positivamente.
Petróleo, gás e combustíveis concentraram os principais destaques positivos. BTG Pactual, Itaú BBA, XP e BB Investimentos ressaltaram o desempenho de empresas do setor. Entre as produtoras, Petrobras e PRIO se destacaram; na distribuição, os principais nomes foram Vibra e Ultrapar. Os relatórios relacionam os resultados ao aumento da produção e ao comportamento do petróleo tipo Brent, referência no mercado internacional.
Mesmo fora desse grupo, a operação de parte das empresas resistiu. BTG Pactual e BB Investimentos destacaram a sustentação do Ebitda —resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização— em diferentes setores. O indicador sugere que a atividade principal das companhias teve bom desempenho, embora isso nem sempre tenha se convertido em crescimento do lucro líquido.
Juros pressionaram o lucro
O problema apareceu depois do resultado operacional. A Selic encerrou junho em 14,25% ao ano, mantendo elevado o custo das dívidas e de novos financiamentos. O efeito foi maior entre empresas endividadas, dependentes do mercado doméstico ou com obrigações atreladas às taxas de juros.
Despesas financeiras consumiram parte do resultado obtido com a atividade principal. “A combinação entre a redução das receitas financeiras e o aumento das despesas financeiras limitou de forma relevante a conversão do resultado operacional em lucro”, afirma Einar Rivero, presidente da consultoria Elos Ayta. No conjunto de empresas analisado pela consultoria, o resultado da atividade principal cresceu quase 25%, mas o avanço do lucro líquido ficou limitado a 3,9%.
