Os bastidores da operação

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Os bastidores da operação

Imagine, por exemplo, um dia ensolarado em que parte das atividades econômicas esteja reduzida – cenário comum nos finais de semana e feriados. A geração solar pode atingir patamares elevados justamente nos horários de menor consumo. Então, para preservar a segurança da operação, o ONS pode precisar reduzir não somente a geração de usinas sob sua coordenação, mas também daquelas não comandadas e que estão conectadas na rede de distribuição.

No fim da tarde, porém, o cenário se inverte. À medida que o sol se põe, a geração solar diminui. Ao mesmo tempo, o consumo tende a crescer, pois milhões de pessoas retornam para casa, acendem luzes e ligam aparelhos. Tem-se, então, um dos desafios operacionais atuais: uma rampa diária de atendimento à carga. Em poucas horas, o ONS precisa garantir que as fontes aumentem sua produção para compensar a redução da geração solar e atenda ao crescimento da demanda.

É nesse momento que a flexibilidade ganha protagonismo. Em uma matriz elétrica cada vez mais dinâmica, não basta ter energia disponível. É preciso contar com recursos capazes de aumentar ou reduzir a geração com controle, rapidez e segurança.

Do ponto de vista operacional, essa transformação exige novas formas de planejamento e coordenação. Diferentemente das usinas despachadas pelo ONS, a micro e minigeração distribuída não está sob comando direto do Operador. Ainda assim, seus efeitos são significativos e precisam ser considerados no dia a dia.

Essa nova realidade levou o ONS a aprofundar as previsões e desenvolver soluções para cenários que, até poucos anos atrás, não eram considerados. Foi desse esforço de antecipação que surgiu o Plano de Gestão de Excedentes de Energia, uma medida preventiva destinada a situações específicas de elevada geração distribuída e baixa demanda, aplicada apenas após a utilização dos recursos operativos disponíveis ao ONS, incluindo a redução da geração das usinas sob sua coordenação.

Ao mesmo tempo, novas tecnologias ganham relevância na busca por soluções estruturais para esses desafios. Entre elas, destaca-se o armazenamento em baterias, que pode contribuir para absorver parte dos excedentes de geração observados ao longo do dia e disponibilizar essa energia nas horas de maior demanda. Essa capacidade de deslocar energia entre diferentes horas do dia pode ampliar a flexibilidade do sistema e apoiar a integração de volumes cada vez maiores de fontes renováveis.