Atitudes diárias prejudicam a saúde mental do seu pet: saiba quais

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Atitudes diárias prejudicam a saúde mental do seu pet: saiba quais

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Casos de abandono, violência e negligência diante das mais diversas espécies animais são recorrentes no noticiário, culminando recentemente com o aumento na circulação de vídeos na internet com exibições chocantes de ataques dessa natureza.

Com ampla visibilidade, esses episódios despertam uma reação quase imediata: revolta. Mas, passada a comoção, o que fica, ou deveria ficar, é uma reflexão mais profunda sobre a origem desses comportamentos.

A crueldade contra animais raramente começa de forma explícita. Na maioria das vezes, ela se constrói de maneira silenciosa, no acúmulo de pequenas atitudes que passam despercebidas no dia a dia.

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Confinamento prolongado, falta de estímulos, interações que geram desconforto… No fundo, trata-se da dificuldade de reconhecer o animal como um indivíduo com necessidades próprias.

Ao longo dos anos trabalhando com animais, fica evidente que muitos dos chamados “casos extremos” são, na verdade, o resultado de uma relação problemática ao longo do tempo.

Não por maldade direta, mas por falta de conhecimento, preparo e, muitas vezes, consciência.

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Existe uma tendência comum de enxergar o pet como uma extensão emocional, de modo que ele acaba sendo tratado a partir de expectativas humanas, não a partir de sua natureza. Isso gera um desencontro.

O animal tenta se comunicar por meio de sinais corporais, mudanças de comportamento, reações ao ambiente, e, do outro lado, falta repertório para interpretar.

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Antes de um episódio de crueldade mais grave ou explícito, quase sempre existem indícios de um desequilíbrio.

O cão que se retrai ou demonstra desconforto rosnando não está se comportando mal. Está se comunicando.

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Se esses sinais são ignorados, o risco de reações mais intensas aumenta — de ambos os lados.

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Falar sobre crueldade, portanto, exige ampliar o olhar. Não se trata apenas de punir o humano que agride, mas de entender como relações desorganizadas, rotinas inexistentes e falta de direcionamento também impactam o bem-estar animal.

Carinho não basta. Bichos precisam de um ambiente estável, estímulos adequados e um relacionamento harmonioso com o tutor. Além disso, a forma como tratamos os animais diz muito sobre nossa capacidade de empatia.

A violência contra um cão ou gato revela um padrão de como lidamos com o “outro” no geral. Assim, o debate precisa sair do campo da reação e avançar para o da prevenção

Isso passa por educação e, principalmente, por uma mudança de postura. Ter um animal não é apenas oferecer abrigo e afeto. É assumir a responsabilidade de compreender, conduzir e garantir sua qualidade de vida.

No caso dos cães, animais que convivem tão de perto com a nossa rotina, com a nossa casa e com as nossas emoções, essa responsabilidade se torna ainda mais evidente.

Porque, quando falhamos em entender o animal, estamos sujeitos a comprometer a segurança e o equilíbrio de uma relação.

E, no fim, a história quase nunca gira em torno do que o  cachorro fez ou faz. Mas do que deixamos de ver ou fazer antes de suas reações.

*Beatriz França é especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA no Brasil e da PETLand BFA em Miami (EUA)

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