No ambiente externo, o prolongamento das tensões geopolíticas reduz espaço para novos cortes. A imprevisibilidade internacional limita o ritmo de queda e eleva a instabilidade no mercado de matérias-primas básicas, segundo o Comitê. Diante dessas ameaças, a autoridade monetária diz que “o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”.
A condução fiscal da economia pelo governo continua exigindo cautela. O Banco Central afirma que a trajetória das contas públicas afeta a confiança geral, o comportamento dos preços de longo prazo e as cotações de ativos. O documento reforça que “o Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.
O Copom evitou dar garantias sobre a continuidade do ciclo de cortes da Selic nas próximas reuniões. Os diretores indicaram que o ritmo de calibração continuará atrelado ao comportamento dos dados econômicos futuros e das projeções de mercado. O texto conclui que, “em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando a assegurar a convergência da inflação à meta”.
A decisão foi unânime. Além de Gabriel Galípolo, presidente do BC, votaram os diretores: Nilton David (política monetária), Ailton de Aquino Santos (fiscalização), Izabela Correa (relacionamento institucional, cidadania e supervisão de conduta), Diogo Abry Guillen (política econômica), Gilneu Vivan regulação), Paulo Picchetti (assuntos internacionais e gestão de riscos corporativos) e Rodrigo Alves Teixeira (administração).
Horas antes da decisão do Copom, o presidente Luiz Inácio Lula (PT) disse que é preciso “resolver a taxa de juros”. “Temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal para não gastar aquilo que a gente não tem e, ao mesmo tempo, trabalhar para reduzir a taxa de juros”, disse o presidente aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.
O único gasto que a gente faz de verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de dívida de juros (…) Aqui no Brasil, o Estado foi aprisionado pela Faria Lima.
Presidente Lula, em entrevista
