A margem financeira somou R$ 2,04 bilhões no trimestre, alta de 39,0% em um ano. Essa linha reúne o resultado líquido de juros e de títulos, derivativos e câmbio. O avanço foi puxado pela expansão do crédito consignado privado (empréstimo com desconto direto na folha de funcionários de empresas privadas) e pelo aumento da receita de juros no cartão de crédito, segundo o banco. A margem financeira sobre a carteira remunerada ultrapassou pela primeira vez a marca de 10% no trimestre, aos 10,12%.
A carteira de crédito bruta encerrou o período em R$ 51,93 bilhões, crescimento de 29,1% em um ano. O consignado privado saltou de R$ 700 milhões para R$ 2,8 bilhões em 12 meses; o financiamento imobiliário e o home equity, linha de crédito com imóvel como garantia, cresceram 37% no período.
A inadimplência acima de 90 dias (NPL) fechou o trimestre em 5,3% da carteira, alta de 0,7 ponto percentual em um ano. O banco atribui parte do avanço ao amadurecimento do consignado privado, produto ainda recente, cuja inadimplência reflete principalmente questões operacionais, como a troca de empregador de clientes, que interrompe o desconto em folha.
Instituição financeira diz estar reforçando a cobrança e vai lançar um produto de seguro no terceiro trimestre para reduzir o custo do risco. As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 860 milhões, alta de 51,1% em um ano. O banco também ajustou sua política de baixa contábil (write-off) de cartões de crédito no período, o que adicionou 30 pontos-base ao índice de NPL, sem efeito na provisão, segundo a instituição.
Os ativos totais do Inter ultrapassaram R$ 100 bilhões pela primeira vez, somando R$ 102,91 bilhões ao fim de junho. O valor é 21,5% maior que um ano antes. A captação (funding) total cresceu 24,1%, para R$ 77,2 bilhões, com custo equivalente a 65,9% do CDI — patamar que o banco classifica como um dos mais baixos do setor, mesmo com a Selic em nível elevado no Brasil. O índice de Basileia, que mede a solidez de capital da instituição, ficou em 14,4%, ante 15,7% um ano antes.
O que diz o Inter
O banco diz ter fechado seu trimestre mais forte até agora. “Este foi o nosso trimestre mais forte até agora, com a Rule of 50 em ação. Pela primeira vez, ultrapassamos R$ 100 bilhões em ativos totais, atingimos NIM de dois dígitos e ultrapassamos a neutralidade de capital”, disse João Vitor Menin, CEO global da Inter&Co, em carta que acompanha o balanço. Segundo a companhia, o crescimento seguirá sendo financiado pela própria lucratividade, sem consumir capital adicional dos acionistas.
