Eclipses totais vão acabar um dia?
“Vivemos em um período privilegiado da história do Sistema Solar”, afirma à agência de notícias EFE o presidente da Comissão Científica Espanhola do Trio de Eclipses e diretor do Observatório Astronômico Nacional, Rafael Bachiller.
Isso porque, se os eclipses totais no passado distante eram ainda mais longos do que os atuais, daqui a cerca de 600 milhões de anos, nossos descendentes já não poderão observar nenhum deles.
Atualmente, a Lua se afasta da Terra a uma velocidade média de cerca de 3,8 centímetros por ano. Trata-se de um movimento extremamente lento, equivalente à largura de dois dedos por ano, mas constante em escala astronômica. À medida que a distância aumenta, o disco lunar passa a parecer ligeiramente menor em nosso céu.
Assim, chegará um momento em que, mesmo quando a Lua estiver no ponto mais próximo de sua órbita (perigeu) e a Terra no mais distante do Sol (afélio), o diâmetro aparente da Lua não será suficiente para cobrir completamente o disco solar. Quando isso acontecer, os eclipses solares totais desaparecerão para sempre e restarão apenas os eclipses anulares – quando o sol não é totalmente encoberto e vê-se um círculo brilhante de luz no céu.
“Creio que essa é uma ideia que nos convida à reflexão. Costumamos pensar que os eclipses são fenômenos eternos”, afirma Bachiller. Mas a coincidência de o Sol e a Lua apresentarem tamanhos aparentes quase idênticos em nosso céu não responde a nenhuma lei física. “É uma coincidência geométrica extraordinária.”
