Como dívida recorde dos Estados Unidos impacta a economia brasileira

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Como dívida recorde dos Estados Unidos impacta a economia brasileira

Países emergentes precisam oferecer um prêmio adicional para continuar atraentes para investidores globais. Isso pode reduzir ou tornar mais seletivo o fluxo de capital para o Brasil, pressionar o real e aumentar a volatilidade da Bolsa, principalmente em empresas mais sensíveis a juros e dependentes de capital estrangeiro. O ponto central é que não precisamos necessariamente de uma fuga generalizada de recursos, basta o retorno americano subir para que o custo de oportunidade de investir no Brasil também aumente. Marcela Rocha, economista e chefe de investimentos da Avenue

Alta do dólar por período prolongado provoca inflação no Brasil. Importações de insumos e bens, além de produtos cotados em moeda estrangeira, como petróleo, grãos e outras commodities, ficam mais caras, levando a repasses que batem nos índices de preços. É por isso que a cotação da moeda é um dos fatores que o Banco Central acompanha para definir a taxa de juros no Brasil.

Para o Brasil, desafio pode ser maior do que para outras economias. A dívida pública brasileira ronda os 82% e tem trajetória ascendente, destacam economistas, por causa do elevado custo de financiamento. A taxa básica de juros aqui, de 14% ao ano, é a maior do mundo ao lado da russa, em termos reais, ou seja, acima da inflação. Assim, uma piora da oferta internacional de recursos pode provocar danos mais rapidamente.

Uma elevação persistente dos juros reais globais pode, portanto, não apenas pressionar a curva de juros doméstica, mas também aumentar as preocupações com a dinâmica da própria dívida brasileira. Nesse caso, o choque externo pode acabar se traduzindo em aumento do prêmio de risco local, com reflexos sobre o câmbio, a Bolsa e os demais preços de ativos. João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual

Banco Central do Brasil pode ter mais dificuldade para reduzir juros. Uma alta persistente de juros reais globais pode pressionar a curva de juros no Brasil. Isso aumenta as preocupações com a dinâmica da dívida brasileira, já que o governo precisará gastar mais para rolar o endividamento.

Isso pode levar a um aumento do prêmio de risco local, com reflexos sobre o câmbio, a Bolsa e os demais preços de ativos. Na política monetária, esse ambiente também limita o espaço para o Banco Central cortar a nossa taxa básica de juros. Juros globais persistentemente mais altos e eventual aumento do prêmio de risco doméstico tornam as condições financeiras mais apertadas e podem exigir uma postura mais cautelosa na condução da Selic.João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual