“Criminoso”: o pré-candidato de um partido quase sem votos ensina ao bolsonarismo como se ataca — e torce para alguém ouvir

“Criminoso”: o pré-candidato de um partido quase sem votos ensina ao bolsonarismo como se ataca — e torce para alguém ouvir

Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão, resolveu distribuir pancada esta semana: chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “criminoso”, acusou o Partido Novo de ser apêndice do bolsonarismo e descartou de vez se apresentar como “terceira via”. Tudo, numa entrevista ao “MyNews”.

Tem uma palavra que resume o quadro: ambição. A dele, não a do Flávio.

O ataque: “Flvio sempre esteve lá para fazer negócios”

Ao comentar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, Santos sentenciou que o senador não reúne condições para derrotar o presidente Lula (PT) e que o filho do ex-presidente nunca teve interesse em construir uma candidatura própria.

“Flvio nunca quis ser presidente. Flvio sempre esteve lá em Brasília para fazer negócios. O lance do Flvio ficar rico e comprar imóveis”, afirmou.

Palavras fortes, vindas de quem provavelmente sonha que citem no debate presidencial. Por enquanto, o debate a que aspira tem outra porta de entrada: a entrevista num portal.

A diatribe contra o Novo: muita legenda, pouca ideia

Santos aproveitou para dar bronca na direita brasileira: o país tem muitas siglas, disse, mas poucos partidos de verdade — na esquerda citou PT e PSOL, e na direita só reconheceu o dele, o Misso. O Partido Novo, de Romeu Zema, levou a pior parte:

“O Novo uma legenda de centro, mas apenas uma legenda. Qual a viso de mundo do Novo sobre educao? Qual o projeto de pas que o Novo apresenta para o Brasil? Muitas vezes, a impresso de que o partido atua apenas como um aliado do bolsonarismo.”

E foi alm, misturando o Novo ao escndalo Vorcaro, o ex-banqueiro preso por fraudes que, segundo revelaes prévias do Intercept Brasil, pagou ao menos R$ 61 milhes em 2025 ligados a Flávio Bolsonaro:

“Agora que o Novo rompeu com Bolsonaro, ser que o partido vai dizer que foi apenas ‘muito inadequado’ o fato de Flvio Bolsonaro ter recebido milhes de reais de Vorcaro? Parece que Flvio t sempre cometendo coisas inadequadas. Vamos ser sinceros: tem que dar nome aos bois, ou a gente vai ficar aceitando que o campo da direita seja dominado por um criminoso?”

A crítica tem veneno, sim. Mas vindo de um partido que precisa de lupa pra aparecer nas pesquisas, soa um pouco como a criana pequena gritando na mesa dos adultos: escutam, mas no levam a sério.

A “terceira via”: nem ferrando

Perguntado sobre a polarização Lula–Flávio, Santos rejeitou se apresentar como terceira via: segundo ele, essas candidaturas acabam assumindo papel secundrio na disputa, e ele quer encarar diretamente os grupos de Lula e Bolsonaro. Tradução: “no sou opo B de ningum”. O histrico das terceiras vias brasileiras sugere que essa B tem muita cadeira reservada.

As propostas: no papel, tudo soa bem

No meio das andanadas, Santos tambm apresentou um programa que, no papel, parece mais slido do que sua estrutura partidria permite supor:

  • Economia: reforma da Previdncia, reviso de benefícios fiscais, mudanças no funcionalismo público e fim dos mecanismos que elevam automaticamente o gasto.
  • Educação: fim da progressão continuada e incentivos por desempenho escolar.
  • Segurança: reforma do modelo de inqurito policial para aumentar a taxa de resoluo de crimes, endurecimento das penas, integrao tecnolgica e mudanas nas carreiras policiais.
  • Exterior: pragmatismo entre EUA e China, usando as reservas brasileiras de terras raras como moeda de negociao.

Um programa srio para uma candidatura que, por enquanto, tem mais decibis que votos.