Desafio da Natura é superar falha logística e inovar no ritmo dos coreanos

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Desafio da Natura é superar falha logística e inovar no ritmo dos coreanos

As três grandes aquisições do grupo tiveram resultados distintos. A australiana Aesop foi o caso bem-sucedido: a Natura entrou em seu capital em 2012, assumiu o controle integral em 2016 e vendeu a operação em 2023 por US$ 2,5 bilhões. A marca reunia características que a companhia conhecia, como produtos de maior valor agregado, propósito e expansão gradual.

Roteiro diferente teve a compra da The Body Shop, adquirida em 2017 por 1 bilhão de euros e vendida em 2023 por 24% do valor. A empresa trouxe um modelo baseado no varejo físico, que é distante da experiência da Natura.

Com a Avon, a complexidade ganhou outra escala. Anunciada em 2019 e concluída em 2020, a combinação previa sinergias anuais de US$ 150 milhões a US$ 250 milhões em até 36 meses. Não foi o que aconteceu. A Avon acabou gerando boa parte dos problemas que a Natura enfrenta até hoje: uma operação complexa que tirou o foco e a capacidade de execução da companhia.

Em 2025, a Natura vendeu a Avon CARD, que reunia as operações na América Central e na República Dominicana, e acertou a transferência da Avon International para o grupo americano especializado em recuperação de empresas Regent LP – uma operação concluída em janeiro de 2026. No mês seguinte, a venda da Avon Rússia encerrou as operações da marca fora da América Latina.

Ao fim desse processo, a Natura havia abandonado o projeto de construir um grupo global multimarcas e voltado a concentrar recursos na América Latina, com o Brasil no centro. A companhia buscava, com isso, impulsionar um novo ciclo de crescimento, baseado em um negócio mais simples e ágil. Os últimos resultados da empresa indicam, no entanto, que a saída do exterior, por si só, não resolveu os problemas.

Analistas afirmam que a companhia ainda precisa demonstrar que a simplificação da operação se traduz em produtos disponíveis, decisões mais rápidas e reconexão com o consumidor. A dúvida deixou de ser qual ativo a Natura ainda precisa vender e passou a ser o que a empresa consegue fazer com o negócio que restou.