Dolly Parton morre aos 80 e deixa legado muito além do country

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Dolly Parton morre aos 80 e deixa legado muito além do country

Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos, em Nashville, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por seu representante, que afirmou que a artista morreu pacificamente. A causa da morte não foi divulgada.

É difícil resumir Dolly apenas como cantora country. Ao longo de mais de seis décadas, ela se transformou em uma das grandes personagens da cultura popular americana: compositora extraordinária, atriz, empresária, filantropa e dona de uma imagem que parecia caricatural justamente porque ela sempre soube controlá-la.

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Dolly Parton era uma lenda da música country nos EUA

Imagem: Reprodução Instagram

Nascida em 1946 em uma família pobre do Tennessee, Dolly chegou a Nashville ainda jovem e ganhou projeção nacional ao lado de Porter Wagoner. A separação profissional dos dois inspirou I Will Always Love You, lançada em 1974 e décadas depois transformada por Whitney Houston em um dos maiores sucessos da história do pop. Jolene, Coat of Many Colors, Here You Come Again, 9 to 5 e Islands in the Stream, com Kenny Rogers, ajudaram a levá-la muito além das fronteiras do country. Ao longo da carreira, vendeu mais de 100 milhões de discos e acumulou 11 Grammys, além do prêmio pelo conjunto da obra da Recording Academy.

Também soube transformar a própria aparência em parte do espetáculo. Cabelos enormes, unhas compridas, cristais, saltos e decotes eram deliberadamente exagerados. Dolly fazia piadas sobre si mesma antes que qualquer outra pessoa pudesse fazê-las e, por trás da imagem aparentemente ingênua, construiu um dos impérios mais sólidos do entretenimento americano.

Sua passagem pelo cinema começou em grande estilo. Em 1980, estreou como atriz em 9 to 5, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Também compôs a música-tema, que ganhou dois Grammys e foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original. Depois vieram The Best Little Whorehouse in Texas, Rhinestone e, especialmente, o clássico Steel Magnolias, de 1989, em que dividiu a tela com Sally Field, Shirley MacLaine, Olympia Dukakis e Julia Roberts.

Dolly virou até um parque temático: Dollywood, no Tennessee, tornou-se uma das atrações turísticas mais importantes da região. Na filantropia, criou a Imagination Library, programa que distribui gratuitamente livros para crianças, além de financiar iniciativas educacionais, vítimas de desastres e pesquisas médicas. Em 2022, mesmo relutando inicialmente em aceitar a honra por se considerar uma artista country, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame.

Os últimos anos foram mais difíceis. Em 2025, Dolly perdeu Carl Dean, seu marido por quase 60 anos. Pouco depois, revelou problemas de saúde que começaram com infecções provocadas por pedras nos rins e trouxeram complicações nos sistemas imunológico e digestivo. Sua residência em Las Vegas foi primeiro adiada e depois cancelada em maio deste ano. Apesar disso, ainda falava em voltar aos palcos e continuava envolvida em projetos, entre eles um musical autobiográfico para a Broadway.

Dolly será lembrada por Jolene e, inevitavelmente, por I Will Always Love You. Mas 9 to 5 talvez resuma melhor sua personalidade: divertida, popular, afiada, feminista sem precisar de cartilha e muito mais inteligente do que a personagem de cabelos enormes e cristais fazia parecer.

Ela passou a vida fazendo a piada primeiro. E saiu de cena tendo a última palavra.