Resumo
Aos 35 anos e após lesão grave, Martin Braithwaite perdeu espaço no Grêmio para Carlos Vinícius. Os números justificam a escolha do técnico Luís Castro: o dinamarquês soma apenas quatro gols na temporada e nenhum no Brasileirão em 14 jogos disputados, além de amargar a reserva. Em contrapartida, o concorrente brasileiro consolidou a titularidade no ataque tricolor ao se tornar o artilheiro do time no ano, registrando 18 gols e apresentando um rendimento muito superior ao do experiente atacante.
Martin Braithwaite já foi referência ofensiva do Grêmio. Hoje, porém, a realidade é diferente. Aos 35 anos, o dinamarquês perdeu espaço na equipe de Luís Castro e os números da temporada ajudam a perceber por que Carlos Vinícius se consolidou como a primeira opção para o comando do ataque.
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A fotografia mais recente é particularmente clara. No último jogo do Brasileirão, diante do Atlético-MG, Martin Braithwaite ficou no banco e não foi utilizado na derrota do Grêmio por 3 a 0. Na rodada anterior, contra o São Paulo, entrou apenas aos 78 minutos. Foram 12 minutos em campo na vitória por 2 a 1.
A tendência já vinha sendo desenhada. No Campeonato Brasileiro, o dinamarquês soma 14 partidas, apenas três como titular, e pouco mais de 400 minutos em campo. Ainda não marcou nem deu assistência na competição. A avaliação média no FotMob é de 6,22.
Ou seja, o centroavante contratado para ser uma das referências ofensivas do Tricolor Imortal ainda não conseguiu transformar a sua presença em números no Brasileirão.O problema não está apenas na quantidade de jogos.
O jejum que pesa
Martin Braithwaite também atravessa uma sequência particularmente pouco produtiva. Depois de ter participado de sete partidas consecutivas como titular ou com uma carga elevada de minutos entre julho e o início de agosto, o atacante perdeu espaço de maneira evidente.
Contra o Bolívar, pela Copa Sul-Americana, disputou os 90 minutos. Depois, diante do Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro, ficou 45 minutos em campo. Na sequência, foram 89 minutos contra o próprio Bolívar, 21 diante do Fluminense e apenas 20 no primeiro jogo contra o Mirassol pela Copa do Brasil.
A utilização de Braithwaite caiu: foram nove minutos contra o Mirassol, 12 diante do São Paulo e nenhum contra o Atlético-MG. O atacante não marca pelo Brasileirão desde a temporada passada. Em 2026, seus quatro gols pelo Grêmio foram em outras competições.
Carlos Vinícius abriu vantagem
Do outro lado está Carlos Vinícius. O brasileiro tornou-se o principal goleador do Grêmio em 2026 e apresenta uma diferença estatística que, neste momento, é difícil de ignorar. São 18 gols na temporada, sendo dez no Brasileirão, além de um gol na Copa do Brasil e dois na Copa Sul-Americana.
A diferença ofensiva é clara: Carlos Vinícius tem 18 gols no ano, contra quatro de Martin Braithwaite. O brasileiro ganhou a titularidade e a confiança de Luís Castro. Os números ajudam a explicar a escolha do treinador.
Mas Martin Braithwaite já mostrou que sabe marcar
Seria, contudo, injusto olhar apenas para 2026 e concluir que Braithwaite deixou de ser um jogador importante. O dinamarquês teve impacto imediato quando chegou ao Grêmio. Em 2024, apesar de ter disputado apenas 18 partidas no Brasileirão, marcou oito gols e deu duas assistências.
Em 2025, por exemplo, voltou a balançar as redes seis vezes no campeonato, além de ter contribuído com uma assistência. Somando as duas primeiras temporadas na Série A brasileira, foram 14 gols em 36 jogos.
O Grêmio reconhecia sua importância ao renovar o contrato até dezembro de 2027. O centroavante havia marcado 21 gols pelo clube, 13 deles em 2025. A questão agora é saber se ainda consegue repetir esse rendimento.
A idade também começa a pesar
Braithwaite completou 35 anos em junho e vem de um período complicado fisicamente. O atacante sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles em 2025 e passou por cirurgia, ficando afastado durante vários meses.
A recuperação naturalmente teve impacto no seu processo de retorno e na capacidade de manter uma sequência competitiva. Em março, quando voltou a ser relacionado, Carlos Vinícius já era o titular e vivia um bom momento.
O brasileiro tinha nove gols em 14 partidas naquele momento, apesar de um breve jejum. Desde então, Martin Braithwaite seguiu como opção importante, mas deixou de ser o centroavante indiscutível de antes.
O melhor Martin Braithwaite ainda pode voltar?
É aqui que está a grande incógnita. O dinamarquês tem contrato com o Grêmio até o fim de 2027 e, apesar de rumores recentes sobre uma eventual saída antecipada, tanto o clube quanto representantes do jogador negaram a existência de uma negociação nesse sentido.
Braithwaite continua no elenco e tem experiência para recuperar espaço. Sua movimentação e capacidade ofensiva ainda podem ser úteis ao Grêmio. Neste momento, porém, os números não estão a favor do dinamarquês.
Quatro gols em 26 partidas em todas as competições, segundo os dados mais recentes, contra 18 gols de Carlos Vinícius. No Brasileirão, zero gols em 14 aparições e apenas três titularidades. Para um centroavante de quem se espera gol, é pouco.
Martin Braithwaite ainda pode recuperar espaço, mas precisa voltar a marcar. Enquanto isso, Luís Castro tem motivos para manter Carlos Vinícius como titular. Os números tornam a concorrência cada vez mais difícil de contestar.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal
