No protesto na Praça de Maio, Silvia Amarilla, de 46 anos, empregada doméstica desempregada, convocada pela Libres del Sur, explica à RFI que a família depende do baixo salário do marido, um trabalhador informal.
“Antes de o presidente Milei assumir o cargo, podíamos reformar a casa, podíamos comer, podíamos comprar roupa e sobrava para comprar um cachorro-quente para os meus filhos. Não sobrava muito, mas chegávamos ao final do mês. Agora, a renda só dura até o dia 12 de cada mês. Nossos três filhos menores de idade não entendem de dívida. Perguntam o que há para comer e, por mais que expliquemos a situação, continuam com fome”, descreve Silvia.
Há um ano, Silvia pediu 200 mil pesos argentinos ao Mercado Pago, o equivalente a 650 reais. Já pagou o equivalente ao capital inicial, mas ainda deve 400 mil pesos e acaba de se tornar inadimplente ao entrar no terceiro mês sem pagamento do crédito. Os 200 mil pesos originais se triplicaram e a dívida continua a subir.
“Provoca tristeza, raiva e muita frustração porque você vive o dia-a-dia sem saber se terá o suficiente para comer no dia seguinte”, lamenta. A família cortou o jantar como refeição diária, cortou itens de higiene pessoal e de limpeza da casa. “Suprimimos o jantar, a higiene pessoal e a da casa. É desesperador perder coisas necessárias”, desabafa Silvia à RFI.
Carolina Daniel, de 33 anos, perdeu o emprego numa cooperativa há nove meses, quando passou a trabalhar como doméstica. O marido mantém o emprego, mas a renda é insuficiente para cobrir os gastos até final do mês.
“Para sobreviver, abrimos uma venda de comida na porta de casa e compramos um carrinho de cachorro-quente para vender na praça. Temos dois filhos. Tivemos de nos endividar para comprar alimentos e para pagar o colégio das crianças”, conta Carolina à RFI.
