Mike Dean, ex-árbitro da Premier League, provocou revolta ao revelar que costumava participar de desafios secretos durante as partidas. Em entrevista ao podcast do atacante Jamie Vardy, Dean contou que, antes da chegada do VAR, brincava com outros árbitros para ver quanto tempo conseguiriam passar sem apitar.
Ele também afirmou que tinha outro desafio pessoal: permanecer no círculo central pelo maior tempo possível. Segundo Dean, chegou a ficar cerca de 15 minutos na região durante uma partida, algo que causou perplexidade entre dirigentes da arbitragem inglesa.
— Costumávamos dizer: ‘Vamos começar agora. Certo, vamos ver quanto tempo conseguimos ficar sem apitar’. Fiz isso algumas vezes na Premier League, antes do VAR, obviamente. Fiquei 20, 25 minutos sem apitar.
Revelação de Mike Dean causa perplexidade na arbitragem
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fmike-dean-durante-jogo-scaled.jpg)
A declaração ganhou peso justamente pelo contexto em que teria acontecido. Mike Dean passou 22 anos como árbitro da primeira divisão inglesa, em uma época na qual ainda não existia o VAR para revisar decisões tomadas durante as partidas. Sua função exigia acompanhar de perto as jogadas e buscar o melhor posicionamento possível para avaliar faltas, pênaltis e outros lances decisivos.
Foi nesse cenário que ele contou ter criado o desafio de permanecer no círculo central.
— Eu costumava fazer outra coisa. Eu ficava no círculo central, para ver quanto tempo eu conseguia ficar lá antes de ter que sair. Era só uma brincadeira minha. Uma vez, consegui ficar uns 15 minutos.
Dirigentes da Pro Ref, organização ligada à arbitragem, ficaram perplexos com o relato. A possibilidade de um árbitro permanecer por aproximadamente 15 minutos no círculo central sem que isso fosse percebido é considerada altamente improvável. Mais do que a peculiaridade da história, a preocupação está no impacto que uma movimentação inadequada poderia ter sobre a capacidade de acompanhar os acontecimentos em campo.
A reação também acontece porque Dean nunca foi uma figura discreta dentro do futebol inglês. Durante sua carreira, ficou conhecido pelos gestos extravagantes e pela presença marcante diante das câmeras. A personalidade do árbitro chegou a inspirar o cântico “Mike Dean, tudo gira em torno de você” nas arquibancadas.
Apesar da fama, sua trajetória também teve números expressivos. Dean comandou 561 partidas na primeira divisão inglesa e distribuiu 114 cartões vermelhos, recorde na competição. Após se aposentar como árbitro de campo em 2022, ele teve uma breve passagem pela função de VAR.
Ex-árbitro já havia sido envolvido em outra polêmica
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fmike-dean-jogadores-chelsea-scaled.jpg)
A nova repercussão se soma a outro episódio controverso envolvendo Mike Dean depois de sua aposentadoria. Em 2023, ele deixou a função de VAR após não intervir em um erro durante Tottenham x Chelsea, partida arbitrada por Anthony Taylor.
Posteriormente, Dean explicou que tinha uma relação de amizade com Taylor e que optou por não pedir ao colega para revisar a decisão no monitor. Ao falar sobre o episódio no podcast de Simon Jordan, descreveu Taylor como um “amigo” e afirmou que não queria lhe causar “mais problemas do que já tinha”.
A relação entre Dean e os jogadores também voltou ao centro da discussão após a declaração sobre os desafios secretos durante as partidas. Gabriel Agbonlahor, ex-atacante do Aston Villa, reagiu com indignação ao episódio em participação na “talkSPORT”. O antigo jogador afirmou que não tinha boa relação com o árbitro e criticou sua postura durante os jogos.
— Eu não me dava nada bem com Mike Dean. Ele é o tipo de árbitro que responde aos jogadores. Ele tinha aquela arrogância. Uma palavra para descrevê-lo. Eu diria que ele é um idiota. Essa é simplesmente a palavra perfeita para ele. Eu só penso nos jogos agora e fico tipo: você estava apitando partidas e fazendo piada disso.
Agbonlahor também questionou se esse tipo de comportamento poderia ter interferido em decisões tomadas durante os jogos. Para ele, o problema se torna ainda maior porque Dean se refere a partidas disputadas antes da implementação do VAR, quando não existia uma ferramenta tecnológica capaz de revisar determinados erros cometidos pela arbitragem.
— É tipo: ‘Ah, ok, quero vencer meu amigo com quem troquei uma brincadeira. Quanto tempo conseguimos ficar sem apitar ou sem sair do círculo central?’ Os árbitros deveriam subir e descer o campo para não perder nada, não havia VAR naquela época. Então você pode ter deixado de marcar pênaltis ou faltas porque queria brincar e ficar no círculo central.
