O gás mostarda é uma denominação para a chamada mostarda de enxofre e ficou muito conhecido pelo seu uso bélico, com grande destaque para a Primeira Guerra Mundial. Quando usado como arma, apresenta um odor pungente, o qual lembra cebola, alho ou mostarda. Seus efeitos são bem significativos, com grande intensificação nas primeiras 24 horas. Além de incapacitante, pode ser letal e é cancerígeno.
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Tópicos deste artigo
Resumo sobre o gás mostarda
- O gás mostarda é uma denominação genérica para a chamada mostarda de enxofre.
- Tal substância é conhecida pelo seu uso bélico, com grande destaque para a Primeira Guerra Mundial.
- Apresenta um odor pungente, que lembra alho, cebola e mostarda. É também extremamente penetrante, podendo transpassar os tecidos da roupa.
- Além de incapacitante, pode ser letal e é cancerígeno.
- Compostos e derivados do gás mostarda, entretanto, são pioneiros na quimioterapia.
O que é o gás mostarda?

O gás mostarda é uma denominação genérica para a mostarda de enxofre, cujo nome oficial é 1-cloro-2-[(2-cloroetil)sulfanil]etano. Ficou conhecido pelo seu uso em conflitos armados desde a Primeira Guerra Mundial. Tal composto também pode ser chamado de Iperita, recebendo as designações militares “H” ou “HD”. Apesar do nome, em temperatura ambiente, o composto é um líquido.
Composição do gás mostarda
O principal componente do gás mostarda é o de fórmula (CH2CH2Cl)2S, cuja estrutura é a que se segue. Seu nome oficial é 1-cloro-2-[(2-cloroetil)sulfanil]etano.

Quando usado na forma de um armamento, o gás mostarda apresenta compostos sulfetados em menor quantidade, que são subprodutos do processo Levinstein, utilizado para sintetizar esse composto por meio da reação entre eteno e cloreto de enxofre.
Propriedades do gás mostarda
Por incrível que pareça, o composto majoritário do gás mostarda, quando puro, não é gás nem possui odor e cor de mostarda. É um líquido oleoso cuja coloração vai do incolor ao amarelo, o qual se solidifica aos 14 °C.
Seu ponto de ebulição é na faixa dos 227 °C com uma decomposição lenta. É pouco solúvel em água, mas dissolve-se em solventes orgânicos, como CCl4 e acetona, e gorduras e, além disso, é uma substância química e fisicamente estável.
O odor pungente característico do seu gás, que lembra cebola, alho ou mostarda, ocorre quando a substância está contaminada com subprodutos sulfetados do seu processo de síntese. A forma gasosa é também mais densa do que o ar, significando que irá se concentrar em áreas mais baixas.
Seu vapor tem grande poder de penetração, capaz de trespassar roupas, couro, madeira e tintas em superfícies metálicas, além de bebidas e de alimentos. É considerado persistente no meio ambiente, principalmente em ambientes mais frios.
Efeitos do gás mostarda

Os vapores do gás mostarda afetam, em maior escala, os tecidos dos pulmões e os olhos. Porém, como é altamente penetrante, a pele sobre nossas roupas também pode ser danificada.
Os sintomas podem iniciar-se algumas horas após a exposição, intensificando-se até as primeira 24 horas. Os principais sintomas clínicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são:
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Tempo após exposição |
Principais sintomas |
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Poucas horas |
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De 4 a 16 horas |
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24 horas |
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A exposição a quantidades significativas de gás mostarda pode resultar, ainda, em convulsões, insônia, cegueira permanente ou temporária, além de falhas respiratórias, o que pode levar à morte.
Outras causas que podem levar à falência por causa da exposição ao gás mostarda são a leucopenia acentuada, que pode levar a infecções avassaladoras e à falência múltipla dos órgãos, edemas pulmonares, síndrome do desconforto respiratório adulto, obstrução das vias aéreas, arritmias e ataques cardíacos.
Contudo, boa parte das vítimas que são expostas a pequenas quantidades de gás mostarda consegue recuperar-se sem quaisquer consequências. As lesões nos olhos e na pele podem levar até 60 dias para serem curadas.
Vale destacar, ainda, que o gás mostarda é um agente carcinogênico, podendo desencadear cânceres de pulmão, de língua, de garganta e de laringe.
Gás mostarda na guerra
O primeiro uso de gás mostarda deu-se no contexto da Primeira Guerra Mundial, mais especificamente em 1917, por meio dos militares alemães em Ypres, na Bélgica (daí o nome iperita). Dado ao seu grande poder de penetração, o gás mostarda forçava as tropas a utilizarem vestimentas impermeáveis, o que reduzia sensivelmente a operacionalidade de combate da tropa.
Durante o conflito, o gás mostarda foi adicionado a projéteis altamente explosivos, provocando muitos impactos entre as forças inimigas. Nos últimos 13 meses do conflito, cerca de 120 mil britânicos foram vítimas de ataques com gás mostarda, mas com uma letalidade baixa, sendo responsável pela morte de 4086 soldados britânicos.
Porém, apesar da baixa letalidade, o gás incapacitou um grande quantitativo de militares, causando muitas baixas. Dada sua eficiência, chegou a ser chamado de “Rei dos Gases”. Na Primeira Guerra Mundial, o gás mostarda era chamado de “Hun Stoffe”, sendo abreviado para HS ou H, contendo de 20 a 30% de impurezas.
Entre outros conflitos que são relatados o uso de gás mostarda, estão:
- Reino Unido contra o Exército Vermelho (1919);
- Forças da Espanha contra os insurgentes marroquinos durante a Guerra do Rife (1920-1927);
- Forças da Itália contra a Líbia (1930);
- invasão da Itália à Etiópia (1935-1936);
- invasão do Japão à China, durante a Segunda Guerra Mundial (1937-1945);
- intervenção do Egito na guerra civil do Iêmen (1963-1967);
- Forças do Iraque durante o conflito com o Irã (1983-1988);
- Forças do Iraque contra os soldados curdos (1987-1988);
- Forças da Armênia contra azerbaijanos na República Autônoma do Naquichevão (1992);
- Forças do Sudão contra insurgentes (1995-1997).
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Gás mostarda na medicina
Por mais irônico que pareça, o gás mostarda e agentes semelhantes vêm sendo alvo de pesquisas clínicas desde seus primeiros usos na Primeira Guerra Mundial. Já durante a Segunda Guerra Mundial, o gás mostarda e seu derivado, a mostarda de nitrogênio, tornaram-se uma nova forma de tratamento para o câncer, sendo empregados em quimioterapia, já que esses eram as substâncias nocivas que os especialistas conheciam melhor. Isso marcou o começo da quimioterapia no tratamento para o câncer.
Dessa forma, alguns pacientes experimentais diagnosticados com câncer receberam agentes mostarda de modo intravenoso. Embora alguns pacientes demonstraram benefícios temporariamente, principalmente aqueles com doença de Hodgkin e linfossarcoma, problemas com a resistência química e a toxicidade começaram a surgir.
Porém, diversos fármacos derivados do gás mostarda ainda são utilizados atualmente para o tratamento de câncer, como é o caso do Mustargen (cloridrato de mecloretamina).
Posteriormente, a mostarda de nitrogênio também foi pesquisada para tratar psoríase, uma condição inflamatória crônica e autoimune que afeta pele, unhas e articulações.
Quem descobriu o gás mostarda?
Algumas fontes indicam que, em 1822, o cientista belga Cesar-Mansuete Despretz chegou a produzir uma forma impura e não categorizada de gás mostarda. Porém, citam que o responsável pela síntese do gás mostarda foi o químico britânico Frederick Guthrie, no ano de 1860. Relata-se, inclusive, que ele chegou a sentir alguns de seus efeitos tóxicos.
Porém, o processo de purificação do gás mostarda deu-se em 1886, através do cientista alemão Victor Meyer, o qual criou o processo Levinstein. A forma pura do gás mostarda é conhecida como “HD”.
Fontes
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