Por Ana Claudia Paixão- Via MiscelAna
Gloria Steinem, uma das mulheres mais importantes e influentes da história do feminismo, morreu na quarta-feira, 2 de setembro, aos 92 anos. Segundo sua fundação, ela faleceu serenamente em sua casa, em Nova York, cercada por pessoas que a amavam. A causa da morte não foi divulgada.
Chamar Steinem apenas de ativista seria reduzir uma trajetória que ajudou a transformar definitivamente a maneira como as mulheres são vistas e, sobretudo, como passaram a enxergar a si mesmas. Jornalista, escritora, palestrante e organizadora política, ela se tornou uma das vozes centrais da segunda onda feminista, defendendo, ao longo de mais de seis décadas, a igualdade salarial, os direitos civis e reprodutivos, a participação feminina na política e o combate à violência contra a mulher.
Seu nome ganhou projeção em 1963, quando trabalhou disfarçada como garçonete em um clube da Playboy e revelou, na reportagem A Bunny’s Tale, os baixos salários, a exploração e o tratamento sexista enfrentado pelas funcionárias. Em 1971, ajudou a criar a revista Ms., publicação pioneira ao tratar aborto, violência doméstica, trabalho e política como assuntos centrais e não como temas secundários destinados exclusivamente às mulheres.
Steinem também esteve entre as fundadoras do National Women’s Political Caucus, da Ms. Foundation for Women e do Women’s Media Center. Em 2013, recebeu das mãos do então presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais importante condecoração civil dos Estados Unidos.
Sua trajetória foi diversas vezes levada às telas. Em Mrs. America, série de 2020 estrelada por Cate Blanchett, Steinem foi interpretada por Rose Byrne. No mesmo ano, Julie Taymor dirigiu As Vidas de Glória, inspirado no livro autobiográfico Minha Vida na Estrada. Julianne Moore e Alicia Vikander viveram diferentes fases da ativista, enquanto Lulu Wilson e Ryan Kiera Armstrong interpretaram suas versões mais jovens. A reportagem sobre a Playboy também se tornou um filme para a televisão, em 1985, com Kirstie Alley.
Mesmo fisicamente mais frágil, Steinem permaneceu trabalhando e defendendo a igualdade até os últimos meses de vida. Seu novo livro de memórias, An Unexpected Life, tem lançamento póstumo previsto para setembro. Ela não viveu para ver concluídas todas as batalhas que ajudou a iniciar, mas deixou às novas gerações algo ainda mais importante: a certeza de que nenhuma conquista feminina nasceu por concessão. Todas precisaram ser reivindicadas.
