A reserva de ao menos duas vagas para servidores de carreira no colegiado é um pleito antigo do SindCVM, que lembra que a demanda encontra respaldo em um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2020, que faz uma recomendação para que parte dos diretores venha do quadro próprio de servidores de carreira.
Berwanger é o sétimo servidor de carreira em cinco décadas de história da CVM a ser indicado para uma vaga no colegiado. O último a assumir um assento no colegiado foi Daniel Maeda, que ocupou um mandato tampão de um ano em 2024. Na lista estão ainda Eli Loria, Maria Isabel Bocater, Wladimir Castelo Branco, Carlos Rebello e Roberto Thadeu. O nome do Berwanger ainda precisa passar por sabatina no Senado.
Berwanger entrou na autarquia como inspetor em 2005 e hoje é Superintendente de Desenvolvimento de Mercado. Ele é formado em Economia pela UFRJ e em Direito pela Universidade Cândido Mendes, com mestrado em Direito da Regulação pela FGV e especialização em Regulação de Fintechs e Inovação Financeira pela Cambridge Judge Business School.
Ele escapou da lista de corte de Otto Lobo — que assumiu o comando em junho demitindo de cargos comissionados sete dos 20 superintendentes — mas vinha sofrendo com uma certa desidratação da sua área. A SDM e a SSR (Superintendência de Supervisão de Riscos Estratégicos), duas áreas que lidam com a agenda de inovação, foram preteridas na coordenação de um grupo de trabalho criado para pensar em inovações financeiras, pauta prioritária na agenda de Lobo e área de especialização de Berwanger.
Lobo preferiu deixar o Laboratório Inovações Financeiras debaixo da Superintendência Orientação aos Investidores e Finanças Sustentáveis (SOI), comandada por José Vasco, tido como seu aliado.
Berwanger deve se alinhar à diretora Marina Copola, que andava isolada no colegiado e tende a votar em concordância com pareceres da área técnica — e em divergência com o posicionamento de Lobo e dos demais diretores João Accioly e Igor Muniz.
