Primeiro, a devolução nos preços da batata e do tomate, lavouras de ciclo curto, que vinham de altas fortes. Depois, e mais importante, oferta maior de carne bovina no mercado interno, em parte ocasionada por restrições da China à importação do produto brasileiro. Se tem contribuído para puxar a inflação para baixo, os alimentos no domicílio sinalizam pressões altistas a partir de setembro, com mais intensidade no último trimestre do ano.
Nas projeções de Fábio Romão, depois das deflações de julho e agosto, o conjunto dos alimentos no domicílio, dentro do IPCA, vai escalar para altas mensais acima de 1%. Partindo de menos de 2,5% em julho, no acumulado em 12 meses, os preços dos alimentos no domicílio devem ficar acima de 4%, mês a mês, até fechar 2026 com alta de 7,3%.
“A expectativa é a de uma reversão altista nos preços da carne, em razão da redução da oferta, com base no ‘ciclo do boi’, e nos preços dos alimentos, pelos efeitos previstos do El Niño na produção de alimentos, no último trimestre e início de 2027” — Fábio Romão, economista da 4intelligence
Projeções para o ano não mundam
Os números mais favoráveis de julho e, possivelmente, de agosto, quando pode até ser observada uma pequena deflação, não mudam as previsões de alta acima de 5% na inflação de 2026.
Além do recuo de preços em alimentos, o IPCA-15 de julho mostrou altas menores em bens industriais, sobretudo eletrodomésticos e equipamentos, explicadas pela contenção de momento na taxa de câmbio.
