O Chelsea começou a era Xabi Alonso com vitória, mas também com um roteiro que resumiu bem o que pode ser a temporada dos Blues: novidades animadoras convivendo com problemas antigos.
Nesta segunda-feira (24), a equipe venceu o Fulham por 3 a 2, no Craven Cottage, pela primeira rodada da Premier League, em uma partida marcada por um início avassalador, bons sinais coletivos e algumas falhas que o novo treinador ainda terá muito trabalho para corrigir. Foi também a estreia oficial de Álvaro Arbeloa no comando do Fulham — curiosamente, os dois últimos técnicos do Real Madrid.
Se havia alguma dúvida sobre como João Pedro chegaria para a nova temporada, o brasileiro tratou de dissipá-la em apenas 31 segundos. Depois de uma pré-temporada excelente, com gols em praticamente todos os amistosos, o camisa 9 precisou de pouco mais de meio minuto para receber uma assistência de Cole Palmer, invadir a área e tocar por cobertura na saída de Bernd Leno.
O atacante não parou por aí. João Pedro participou diretamente de dois dos três gols do Chelsea, já que também serviu Palmer para ampliar a vantagem no início do segundo tempo. Depois de uma primeira temporada muito positiva pelos Blues, na qual terminou como artilheiro da equipe, o brasileiro renovou contrato e recebeu a camisa 9, um sinal claro do espaço que ocupa no projeto do clube.
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— Chelsea FC (@ChelseaFC) August 24, 2026
Um Chelsea mais agressivo, móvel e difícil de prever
A primeira impressão deixada pelo Chelsea de Alonso foi bastante interessante. O treinador espanhol apostou em uma estrutura com três zagueiros, formando um 3-4-3 com a bola e se transformando em um 5-3-2 sem ela — em determinados momentos, até mesmo em um 5-4-1.
Mais do que a disposição no papel, porém, chamou atenção a maneira como os jogadores executaram o plano, especialmente nos primeiros minutos. A equipe adiantou suas linhas, pressionou o Fulham de maneira coordenada e dificultou bastante a saída dos donos da casa.
Os jogadores de frente foram fundamentais nesse comportamento. João Pedro, Palmer e Morgan Rogers trocaram constantemente de posição, alternando referências e aparecendo em diferentes zonas do ataque. Não havia uma movimentação estática que facilitasse o trabalho da defesa do Fulham.
Quando um saía da posição inicial, outro ocupava o espaço, e essa dinâmica tornou a pressão do Chelsea ainda mais incômoda. O resultado foi um time que recuperava a bola em zonas perigosas e conseguia acelerar as jogadas sem depender de um único caminho para chegar ao gol.
Nesse contexto, Palmer talvez tenha sido a outra grande notícia da noite. O meia-atacante apareceu muito mais ativo, participativo e conectado ao jogo do que vinha sendo na temporada passada e também nos amistosos de preparação. Deu a assistência para João Pedro, marcou o terceiro gol e esteve envolvido em diferentes momentos da construção ofensiva.
No ataque, o time também mostrou algo que faltou em diversos momentos recentes: imprevisibilidade. As trocas de posição, a velocidade das combinações e a disposição para atacar espaços fizeram o Chelsea parecer uma equipe difícil de encaixar.
Sánchez, erros defensivos e problemas que insistem em aparecer
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Mas nem tudo foi novidade positiva. Se o Chelsea apresentou uma identidade ofensiva promissora, também voltou a cometer erros que acompanham o clube há algumas temporadas. Robert Sánchez continua sendo o principal exemplo: o goleiro espanhol falhou no gol de Josh King.
E o problema não ficou restrito ao lance: em outros momentos, Sánchez demonstrou afobação com a bola nos pés, aumentando a sensação de insegurança sempre que o Chelsea tentava iniciar suas jogadas desde trás.
A permanência dessa situação chama ainda mais atenção porque o Chelsea não contratou um novo goleiro para disputar a posição. Em um elenco que passou por mudanças importantes e que agora está sob o comando de um treinador conhecido por valorizar a construção desde a defesa, manter uma posição que já ofereceu tantos problemas parece uma escolha que poderá ser cobrada ao longo da temporada.
Sánchez, porém, não foi o único responsável. A saída de bola do sistema defensivo apresentou momentos bastante atabalhoados, com passes arriscados e decisões precipitadas que poderiam ter custado caro. Quando a primeira pressão do Fulham funcionava, o Chelsea por vezes parecia sem clareza para escapar dela. E, quando não conseguia recuperar rapidamente a bola, também surgiam problemas na organização defensiva.
A marcação no campo de defesa esteve longe de ser impecável. O Fulham encontrou espaços e conseguiu pisar na área dos Blues com facilidade maior do que Alonso certamente gostaria. Em alguns momentos, os defensores pareciam reagir atrasados às movimentações dos adversários; em outros, os botes aconteceram de maneira afobada e terminaram em cartões amarelos.
Ainda assim, sair do Craven Cottage com três pontos e tantas respostas positivas é um começo relevante para Alonso. O Chelsea foi perigoso, mostrou organização sem a bola, teve mobilidade no ataque e encontrou em João Pedro um protagonista que parece pronto para assumir ainda mais responsabilidade. Ao mesmo tempo, Sánchez e os problemas defensivos lembraram que a mudança de treinador não apaga automaticamente os vícios acumulados nos últimos anos.
