O preço médio realizado ficou entre US$ 100 e US$ 104 por barril, segundo o diretor financeiro, Fernando Melgarejo. O lucro chegou a US$ 10,4 bilhões, ou US$ 11,1 bilhões sem os itens não recorrentes. As exportações também cresceram: a companhia embarcou 996 mil barris de petróleo por dia, 12,2% mais que no trimestre anterior.
A maior produção não veio principalmente de ganhos de eficiência. Dos 355 mil barris diários adicionados em 12 meses, a Petrobras atribui cerca de 70 mil a esse fator. O restante veio sobretudo de novas unidades, como a P-79, que entrou em operação em Búzios três meses antes do previsto, e da chegada gradual de plataformas já instaladas à capacidade projetada.
Chambriard insistiu durante a teleconferência que o preço do petróleo, sozinho, não explica o resultado. “Nós tivemos mais de 10 trimestres com preços de petróleo superiores a esses no passado”, disse, sem que o lucro recorrente tivesse atingido o mesmo nível. O refino também ajudou: as refinarias operaram perto da capacidade de referência e a companhia reduziu em 40% a importação de derivados, evitando comprar no exterior parte do diesel que ficou mais caro com a guerra.
A tensão entre rentabilidade e política de preços aparece também no mercado doméstico. A companhia disse ter oferecido às distribuidoras contratos mais longos de gás para reduzir o impacto da volatilidade do Brent sobre os preços.
No trimestre, a Petrobras pagou R$ 88,6 bilhões em tributos e participações governamentais, R$ 22 bilhões a mais que um ano antes.
A dívida bruta subiu para US$ 70,8 bilhões, principalmente pelo reconhecimento antecipado de contratos de afretamento renegociados.
