Uma pesquisa da Cargill mostrou que 61% dos consumidores norte-americanos aumentaram sua ingestão de proteína em 2024. Em 2019, eram 48%. A proteína saiu do universo dos atletas e virou sinônimo de saúde, saciedade e envelhecimento com mais qualidade para um público muito mais amplo.
As pessoas não abriram mão do prazer. Só passaram a querer mais coisas ao mesmo tempo. Praticidade, mas com atenção aos ingredientes. Prazer, mas com menos excessos. Celebração, mas nem sempre com álcool.
Aliás, tem algo que me diverte nessa febre toda. A forma mais simples e barata de consumir proteína sempre foi comer um bife. Mas ninguém faz campanha de marketing em cima de um bife. A proteína virou argumento de inovação quando passou a aparecer onde ninguém esperava: na cerveja, no energético, no biscoito. O consumidor não mudou só o que come. Mudou o que acha interessante comer.
Eu vivi algo parecido quando liderava o McDonald?s no Brasil.
Em algum momento, tivemos seis ou sete tipos diferentes de salada no cardápio. Variações de vegetais, de proteínas, porções que o cliente podia pedir separado ou até trocar pela McFritas. Eu sabia que a salada nunca ia vender mais que o Big Mac. Eu não conheci ninguém que acordou de manhã e disse: ?Hoje estou com uma vontade de comer uma salada do McDonald?s.?
Mas a salada cumpria outro papel. Evitar o veto.
