A prosódia é a parte da fonética que estuda aspectos da pronúncia das palavras, principalmente a posição correta do acento tônico, isto é, da sílaba pronunciada com maior intensidade. A partir de seu estudo, é possível reconhecer a tonicidade adequada das palavras, os casos em que mais de uma pronúncia é aceita e os erros provocados pelo deslocamento indevido da sílaba tônica.
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Tópicos deste artigo
Resumo sobre prosódia
- Prosódia é o estudo de aspectos da pronúncia, especialmente da posição do acento tônico nas palavras.
- A sílaba tônica é aquela pronunciada com maior intensidade em uma palavra.
- De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras podem ser oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas.
- O deslocamento indevido do acento tônico constitui um erro de prosódia conhecido como silabada.
- Algumas palavras admitem duas formas de pronúncia consideradas adequadas, fenômeno chamado dupla prosódia.
O que é prosódia?
A prosódia é a parte da fonética relacionada à pronúncia das palavras, especialmente à posição da sílaba tônica. Essa sílaba recebe maior intensidade na pronúncia e se destaca das demais, as chamadas sílabas átonas. Observe esta palavra:
gra-tui-to
A sílaba -tui- é pronunciada com maior intensidade. Portanto, ela é a sílaba tônica de “gratuito”. A palavra é paroxítona, pois a tonicidade recai sobre a penúltima sílaba.
A prosódia permite determinar justamente onde se encontra esse destaque na pronúncia. Quando o falante transfere a tonicidade para uma sílaba diferente daquela prevista pela norma-padrão, ocorre um erro de prosódia, tradicionalmente chamado de silabada. Por exemplo, pronunciar a palavra “gratuito” deslocando a tonicidade apenas para a vogal -i- constitui uma silabada:
Pronúncia adequada: gra-tui-to
Desvio de pronúncia (silabada): gra-tu-í-to
A prosódia também pode envolver outros aspectos da fala, como a entonação. Nas gramáticas normativas, entretanto, seu estudo costuma concentrar-se principalmente na posição do acento tônico das palavras.
Exemplos de prosódia
A prosódia não é um conceito que possa ser exemplificado diretamente, já que corresponde a uma área da fonética. No entanto, é possível apresentar casos que ilustram seu objeto de estudo, como a posição da sílaba tônica e as diferenças de pronúncia das palavras. Veja alguns deles:
- No-bel: a última sílaba é tônica;
- gra-tui-to: a penúltima sílaba é tônica;
- re-cor-de: a penúltima sílaba é tônica;
- ín-te-rim: a antepenúltima sílaba é tônica;
- pro-tó-ti-po: a antepenúltima sílaba é tônica.
Esses exemplos mostram como a prosódia está relacionada à identificação da sílaba que recebe maior intensidade na pronúncia de cada palavra.
Tipos de prosódia
Não se costuma usar, tradicionalmente, uma classificação gramatical que estabeleça diferentes “tipos de prosódia”. Como o estudo da prosódia volta-se principalmente para a posição da sílaba tônica, é possível compreender o assunto a partir da classificação das palavras em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
Além dessas três classificações, há casos de dupla prosódia, em que duas posições do acento tônico são admitidas.
São palavras cuja sílaba tônica é a última. Exemplos:
su-til
re-fém
ja-ca-ré
bu-ri-ti
a-des-tra-dor
São palavras cuja sílaba tônica é a penúltima. Exemplos:
pas-ta
fei-ra
ter-re-no
co-lhei-ta
me-xe-ri-ca
São palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Exemplos:
ín-te-rim
câ-ma-ra
pro-tó-ti-po
an-tí-ge-no
pa-ra-le-le-pí-pe-do
Algumas palavras apresentam dupla prosódia, isto é, admitem duas posições diferentes para a sílaba tônica sem que uma das palavras seja considerada incorreta. É o que ocorre, por exemplo, em:
or-to-é-pia / or-to-e-pi-a
projétil / projetil;
a-cro-ba-ta / a-cró-ba-ta
Nesses casos, as duas pronúncias são registradas como possíveis.
Atenção! A dupla prosódia ocorre apenas quando uma mesma palavra admite mais de uma posição para o acento tônico, sem mudança de sentido.

Exercícios resolvidos sobre prosódia
Questão 1
Uma pessoa encontra em diferentes contextos as formas projétil e projetil e conclui que uma delas necessariamente está pronunciada de maneira incorreta. Essa conclusão está:
A) correta, pois apenas palavras paroxítonas podem apresentar variação de pronúncia.
B) correta, pois toda palavra possui apenas uma posição possível para o acento tônico.
C) incorreta, pois a palavra admite dupla prosódia, e as duas formas são aceitas.
D) incorreta, pois a posição da sílaba tônica não interfere na pronúncia das palavras.
Resposta
Alternativa C. “Projétil” e “projetil” constituem um caso de dupla prosódia. Isso significa que as duas formas de posicionar o acento tônico são admitidas. Portanto, nenhuma delas constitui, por si só, um erro de prosódia.
Questão 2
(UFVJM-MG 2019)
Para o estudioso da canção brasileira Luiz Tatit, em sua obra O século da canção (2004), os sambistas da década de 1930 destacaram-se pelo desenvolvimento de uma forma poética a partir da prosódia popular dos morros cariocas, retratando o cotidiano de vida permeado pela pobreza, pelo humor e pela boemia. Nas palavras de Tatit: “Alheios a qualquer formação escolar, de ordem musical ou literária, esses sambistas retiravam suas melodias e seus versos da própria fala cotidiana. Serviam-se das entoações que acompanham a linguagem oral e das expressões usadas em conversa. Tais recursos, aliás, já vinham das brincadeiras indígenas e dos rituais religiosos das primeiras levas de negros que aqui chegaram”.
De acordo com esse texto, o verso que NÃO apresenta prosódia baseada na linguagem popular é:
A) “João Ninguém / Não trabalha e é dos tais” (João Ninguém)
B) “Coração / Grande órgão propulsor / Distribuidor do sangue venoso e arterial” (Coração)
C) “Eu hoje estou pulando como sapo, / Pra ver se escapo desta praga de urubu” (Com que roupa?)
D) “Agora vou mudar minha conduta, / Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar” (Com que roupa?)
Resposta
Alternativa B. Nesse verso, predomina uma linguagem técnica e científica, com expressões como “órgão propulsor”, “sangue venoso” e “arterial”, distantes da fala cotidiana e espontânea que caracteriza a prosódia popular mencionada no texto.
Fontes
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
