Quem está amamentando pode tomar whey protein?

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Quem está amamentando pode tomar whey protein?

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Quando o treino volta a fazer parte da rotina de uma mãe que está amamentando, o uso do famoso whey protein pode gerar dúvidas. Ora, dá para continuar tomando ou é melhor deixar o scoop de lado por enquanto?

Bom, a resposta pode ser mais tranquila do que parece, mas ainda coberta de muitas ressalvas.

É que, de um lado o whey protein nada mais é do que uma fonte concentrada de proteínas do leite, geralmente obtida do soro do leite de vaca. E proteína já faz parte, naturalmente, do leite materno.

Do outro, é preciso tomar cuidado com exageros e com a fonte de suplementação utilizada.

Primeiro, o que é whey?

Em português, whey protein significa literalmente proteína do soro, que, nesse caso, é do leite.

Para cada marca, ele pode ser vendido sob uma fórmula relativamente simples, com a proteína do soro do leite como principal ingrediente, ou acompanhado de aromatizantes, adoçantes, açúcares, gorduras…

Alguns suplementos combinam ainda proteína com cafeína, creatina, vitaminas, minerais, ervas e outros ingredientes. E isso faz muita diferença para a amamentação.

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Quanto mais ingredientes houver na fórmula, mais componentes precisam ser avaliados individualmente. Além disso, é preciso levar em conta que, apesar do seu lado nutritivo, esse tipo de produto é considerado um alimento ultraprocessado.

O whey que a mãe toma vai parar no leite?

Não exatamente. Depois que o whey é ingerido, suas proteínas passam pelo processo de digestão e são quebradas em aminoácidos e pequenos fragmentos que o organismo utiliza para diversas funções (como a famosa construção de músculos).

Por isso, não se deve imaginar que o conteúdo de um copo de whey simplesmente atravesse o organismo da mãe e chegue inteiro ao leite materno.

Em geral, a ingestão faz com que aminoácidos entrem na circulação, de onde parte deles pode seguir para a glândula mamária e ser usada, por sua vez, na produção das proteínas do leite materno.

É diferente de outros nutrientes, como ácidos graxos e vitaminas, que podem aparecer no leite de forma mais notável a partir da alimentação materna.

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Por isso, para uma mãe que está amamentando, tomar um whey proteico simples, nas quantidades recomendadas, geralmente não é considerado um problema. Mas é bom ter cuidado.

O risco das alergias

O principal ponto de preocupação são as crianças alérgicas. Isso porque fragmentos de proteínas do leite de vaca (a matéria-prima do whey) conseguem passar de forma mais direta para o leite materno.

Por isso, bebês suspeita ou diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) podem ser afetados pelo consumo da substância.

Então, quem amamenta pode tomar whey?

Segundo Ana Maria Melo, pediatra do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, o whey protein pode ser uma opção para complementar a ingestão de proteína de uma mulher que amamenta, quando existe uma dificuldade de atingir suas necessidades apenas com a alimentação.

“Mas desde que com acompanhamento profissional especializado de um nutricionista”, alerta.

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A orientação vale também para a escolha do produto. Suplementos de boa procedência e composição conhecida são preferíveis, especialmente porque produtos destinados ao universo esportivo podem reunir diferentes ingredientes além da proteína.

Além disso, segundo o pediatra, o ideal é recorrer aos suplementos à base de proteínas vegetais, evitando os riscos relacionados às alergias.

A médica, ressalta, ainda, que o maior problema está no uso de suplementos sem necessidade ou sem orientação. E o grande ponto é que, em geral, a maioria dos brasileiros não precisa dessa forcinha extra dos suplementos.

Veja, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal são suficientes para suprir as nossas necessidades – o equivalente, mais ou menos, a 180 gramas de peito de frango por dia para um adulto médio.

Por outro lado, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares, mesmo dentre os 20% mais pobres da população brasileira, apenas 3% têm uma ingestão abaixo desse nível.

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Por isso, para a mãe que está amamentando e voltou a treinar, a prioridade continua sendo uma alimentação equilibrada e uma hidratação adequada. Somente uma avaliação individualizada pode dizer se o suplemento tem espaço nessa rotina.

Mais não significa melhor

Uma revisão sistemática do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto, ligado à OMS, investigou os resultados na saúde materna e infantil da suplementação com carboidratos e proteínas em gestantes.

Para isso, os pesquisadores avaliaram dados de 17 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 9,3 mil mulheres grávidas.

Entre as mulheres que receberam suplementos equilibrados de carboidratos e proteína — definidos pelos pesquisadores como aqueles em que menos de 25% das calorias vinham da proteína — houve redução de 40% no risco de morte de bebês e de 21% no risco de o neném ser pequeno para a idade gestacional

O peso ao nascer também aumentou, em média, 41 gramas.

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O resultado, porém, não foi o mesmo quando a suplementação tinha teor elevado de proteína.

Em um dos estudos, que envolveu 505 mulheres, esse tipo de suplementação foi associado a um aumento de 58% no risco de o bebê nascer pequeno.

Eles concluíram, assim, que corrigir uma ingestão inadequada do nutriente pode ser útil, mas aumentar indiscriminadamente a quantidade não significa obter mais benefícios (e pode trazer riscos que ainda são desconhecidos).

Assim, Melo considera: “o grande problema não está no uso dos suplementos, mas na utilização sem orientação“, diz.

 

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