As big techs, por outro lado, possuem dinheiro para manter equipes jurídicas voltadas a postergar processos por tempo a perder de vista e possuem plataformas com alcance para afetar segmentos inteiros.
Um dos exemplos da disparidade de armas tratados pela equipe do deputado Aliel Machado é o do Google News. O inquérito no Cade foi aberto em 2019 para investigar a exploração de conteúdo jornalístico sem remuneração. E só voltou à tona em 2026 devido ao uso de inteligência artificial para extrair e repassar notícias aos usuários, reformulando a falta de pagamento a veículos de comunicação.
Quando o dinheiro entra em cena, a relação é desigual até entre as próprias big techs. Isso ficou claro durante o julgamento que condenou o Google pelo monopólio das buscas nos EUA. Documentos internos mostraram como o pagamento bilionário para fazer do Google o motor de pesquisas online padrão do Safari levou a toda poderosa Apple a desistir de criar sua própria ferramenta.
A solução trazida pelo projeto brasileiro ao impasse é obrigar essas empresas a submeterem ao Cade as decisões que possam afetar a concorrência antes de serem tomadas. Não depois, como ocorre hoje. Para as big techs, o Cade já possui poder suficiente para solucionar brigas e adotar essa dinâmica dará poder demais à entidade.
O que colocam nessa regulação é dar carta branca para a unidade nova do Cade, que poderá pedir para redesenhar tecnologia sem comprovar qualquer possibilidade de ilícito concorrencial. É problemático e a gente vai sair contra esse projeto do começo ao final
Representante de uma associação ligada a grandes empresas de tecnologia

