YoPRO, Rap10 e iogurte zero: 10 alimentos que parecem saudáveis, mas não são bem assim

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YoPRO, Rap10 e iogurte zero: 10 alimentos que parecem saudáveis, mas não são bem assim

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Quem nunca colocou um produto na cesta de compras crente de que estava fazendo a escolha mais saudável possível? E não é para menos, já que a promessa pode vir estampada em letras garrafais no rótulo: é lanche fit, zero, fonte de fibras, protein e por aí vai…

Mas, quando viramos a embalagem e encaramos a lista de ingredientes desses alimentos, a realidade pode ser bem diferente da propaganda.

Com base nisso, a empresa francesa Yuka — um aplicativo que ajuda na leitura e interpretação de rótulos —, avaliou dez produtos vendidos no Brasil que trazem alegações de saúde na embalagem, analisando as suas fórmulas e atribuindo-lhes notas em uma escala de 0 a 100.

De antemão, a pior pontuação ficou para a bebida láctea com whey protein YoPRO + Recovery Boost, da marca Danone, que recebeu a nota zero, graças aos seus aditivos e alta concentração de açúcar.

A empresa, aliás, traz uma lista de produtos que ajudam a ilustrar como embalagens podem influenciar a percepção do consumidor sobre a qualidade nutricional do alimento.

“Dois critérios foram combinados. Primeiro, a popularidade: esses estão entre os produtos mais escaneados pelos usuários da Yuka no Brasil. Segundo, um contraste claro entre a mensagem e a composição”, explica Julie Chapon cofundadora da empresa.

Os dados foram fornecidos com exclusividade à VEJA SAÚDE. Confira a lista completa:

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Embalagem de YoPRO Recovery Boost, bebida láctea UHT sabor chocolate, 250ml, com 23g de proteínas e 5g de BCAAs, para dietas com restrição de lactose. A embalagem preta e branca exibe pedaços de chocolate na parte inferior
YOPRO + Recovery. (Danone/Reprodução)

1. YOPRO + Recovery  Boost — Nota: 0/100

O produto da Danone – que abocanha metade do mercado de bebidas proteicas no Brasil –  recebeu a nota zero.

A bebida láctea promete 23 gramas de proteínas derivadas do leite (Whey e caseína) e cinco de suplementação de BCAA (um conjunto de aminoácidos) para, em tese, ajudar na recuperação e fortalecimento muscular.

Segundo o aplicativo de leitura de rótulos, o problema estaria, em primeiro lugar, na alta quantidade de açúcar em sua fórmula.

O produto carrega 4,8 gramas de açúcares por 100 mililitros de substância, o equivalente a 20% da ingestão diária máxima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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Além disso, o YOPRO leva consigo substâncias controversas, como carboximetilcelulose sódica e carragena.

Esses aditivos são usados como espessantes, emulsificantes e estabilizantes, ou seja, têm a função de dar mais ‘corpo’ ao alimento, bem como manter a sua textura homogênea.

De acordo com a principal autoridade internacional sobre o tema, o Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da OMS e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), conhecido pela sigla JECFA, a ingestão diária dessas substâncias é considerada “aceitável“.

No entanto, estudos avaliam os possíveis efeitos de altas doses de emulsificantes sobre a microbiota intestinal, além de uma ação inflamatória para o sistema gastrointestinal.

Seja como for, a nutricionista Manuela Dolinsky, presidente de Conselho Federal de Nutrição, explica que a lista extensa de ingredientes e a presença de diversas substâncias de uso predominantemente industrial no produto indicam que estamos diante de um alimento ultraprocessado.

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Segundo a classificação NOVA, os ultraprocessados são formulações industriais feitas com partes de alimentos e aditivos químicos, contendo pouco ou nenhum ingrediente integral.

Esse tipo de produto costuma ser rico em corantes, aromatizantes, sódio e açúcar, mas pobre em nutrientes. Assim, estão ligados a, pelo menos, 32 problemas de saúde como hipertensão, diabetes, obesidade e mais —, conforme estudos. E é por isso que o seu consumo é desaconselhado.

Garrafa azul de iogurte Danone Zero Morango, 1,20kg, com tampa azul clara. Rótulo amarelo EMBALAGEM ECONÔMICA. Detalhes brancos: 5x 0% AÇÚCARES ADICIONADOS, 0% COLESTEROL, 0% GORDURAS SATURADAS, 0% GORDURAS TRANS, 0% LACTOSE. Um morango vermelho e respingos de iogurte rosa na base
Danone Iogurte Zero, lançado em 2025. (Danone/Reprodução)

2. Danone Zero Yogurt — Nota: 7/100

Lançado no ano passado pela Danone, o produto afirma ter 0% de açúcares adicionados, gordura saturada, gordura trans e lactose.

É um ponto positivo. Porém, por outro lado, a fórmula leva grandes quantidades de aditivos como a sucralose e o sorbato de potássio.

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A sucralose é um edulcorante (ou “adoçante”), isto é, uma substância usada para conferir sabor doce aos alimentos e bebidas sem usar açúcar.

Ainda há debates sobre os efeitos nocivos diretos à saúde do consumo elevado dessas substâncias, mas uma coisa é fato: diferentemente do que muitos acreditam, não existem evidências de que trocar o açúcar pelos adoçantes seja um bom caminho para quem quer perder peso.

Por isso, a OMS desaconselha a troca. “Do ponto de vista nutricional, portanto, reduzir açúcar substituindo sistematicamente tudo por alimentos intensamente adoçados não é necessariamente a única ou a melhor estratégia“, diz Dolinsky.

A recomendação, segundo a nutricionista, é trabalhar a adaptação do paladar a alimentos menos doces, algo que pode ser orientado por profissionais da Nutrição.

Já o sorbato de potássio é um conservante usado para impedir ou retardar o crescimento de fungos e leveduras nos alimentos.

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Ele não é um dos ingredientes que costuma aparecer em listas de “aditivos controversos” ou de precaução, mas chama a atenção para o excesso de aditivos químicos que pode haver nesses produtos.

O JECFA estabeleceu uma ingestão diária aceitável de sorbato de potássio de até 25 miligramas por quilo de peso corporal por dia.

Garrafa de iogurte batido Nestlé Zero, com tampa azul e rótulo azul e branco. Destaca 0% lactose, 0% adição de açúcares e 0% gorduras totais, com um splash de leite e o peso 1,15 kg
Nestlé Batido Zero (Nestlé/Reprodução)

3. Nestlé Iogurte Batido Zero — Nota: 9/100

O princípio aqui é quase o mesmo do Danone. O produto tem zero lactose, açúcar e gorduras, mas a Yuka chama a atenção para a presença do fosfato tricálcico e da sucralose, além do sorbato de potássio.

Os fosfatos são compostos químicos que contêm fósforo e oxigênio e podem ser usados como aditivos alimentares para regular a acidez. O ingrediente contribui para a ingestão do mineral, que também está naturalmente presente em diversos alimentos.

O fósforo é essencial ao organismo, mas seu consumo em excesso pode ser especialmente preocupante para pessoas com doença renal crônica, já que rins comprometidos têm mais dificuldade para eliminar o mineral.

Nesses casos, o acúmulo de fósforo no sangue pode afetar o equilíbrio de cálcio e contribuir para complicações ósseas e cardiovasculares. Mas, apesar de a substância contar pontos negativos na plataforma, essas situações são consideradas raras.

Ainda assim, para a população em geral, o JECFA estabelece a ingestão máxima diária tolerável de 70 mg de fósforo por quilo de peso corporal, considerando exposição total ao fósforo proveniente das diferentes fontes da dieta.

Embalagem de snack eQlibri PaNeTiNi sabor presunto defumado, com fatias de presunto e biscoitos redondos. O pacote branco e vermelho destaca que é baixo em gorduras saturadas, assado, livre de gorduras trans e zero colesterol. Informa 40g e tabela nutricional
Eqlibri sabor presunto defumado (PepsiCO/Reprodução)

4. Eqilibri Panetini Presunto Defumado — Nota: 18/100

O produto da Eqilibri, do grupo Mondelez, recebeu nota 18 no aplicativo de leitura de rótulos. É que, se de um lado a embalagem destaca que o alimento é “baixo em gordura saturada”, “sem gordura trans” e “zero colesterol”, do outro, ele contém uma quantidade considerável de sódio.

O saquinho leva 510 miligramas de sódio a cada 100 gramas, o equivalente a cerca de um quarto do limite diário de 2 gramas do mineral recomendado pela OMS.

Além disso, o produto também contém, entre outros aditivos, o glutamato monossódico, um aditivo utilizado como realçador de sabor, que intensifica o gosto dos alimentos, deixando eles hiperpalatáveis (ou seja, fica difícil parar de comer).

É bom ter atenção ao conjunto da obra nessa fórmula, já que o consumo excessivo de sódio está associado ao aumento da pressão arterial e, consequentemente, ao maior risco de doenças cardiovasculares.

Embalagem de biscoitos Nesfit Delice Cacau & Avelã, com dois biscoitos redondos de chocolate e pedaços de avelã visíveis, além de grãos de aveia e uma avelã inteira. O rótulo indica Alto em Açúcar Adicionado e Cereal Integral 36%
Nesfit Cacau e Avelã (Nestlé/Reprodução)

5. Nesfit Cacau e Avelã — Nota: 21/100

A embalagem das bolachas Nesfit, da Nestlé, destaca a presença de “36% de cereais integrais” e de “pedaços de avelã”, características que podem contribuir para uma imagem de alimento saudável.

Acontece que, na composição, estão aditivos como o caramelo IV e uma quantidade considerável de açúcar, que justificam a nota baixa do Yuka.

Para ter ideia, são 22 gramas de açúcar a cada 100 gramas de biscoitos. Isso corresponde a 44% do limite de 50 gramas de açúcares livres por dia estabelecido pela OMS.

Já o caramelo IV é um corante que pode, durante sua fabricação, formar compostos como o 4-metilimidazol (4-MEI), um subproduto químico indesejável.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês) classifica o 4-MEI como “possivelmente carcinogênico para humanos”.

Essa classificação, porém, é estabelecida quando há evidências limitadas em estudos experimentais de que uma substância pode vir a causar algum malefício ainda não comprovado.

Isso, porém, também não significa que o consumo de alimentos com caramelo IV provoque câncer. No fim, ele é, mais do que qualquer outra coisa, mais um ingrediente que chama atenção para a distância entre esse tipo de produto e um alimento in natura.

Aliás, o JECFA estabeleceu uma ingestão diária aceitável de até 200 miligramas de caramelo IV por quilo de peso corporal ao dia.

Caixa de biscoitos BelVita Cacau & Cereais, amarela e marrom, com um biscoito escuro em destaque, pó de cacau e espigas de trigo. Informa Nova Receita, Fonte de cálcio e fibras, 0% gorduras trans e 4 cereais integrais (66%). Contém 3 unidades de 25g, totalizando 75g
Belvita Cacau e Cereais. (Mondelez/Reprodução)

6. Belvita Cacau e Cereais — Nota: 27/100

O produto se vende como fonte de cálcio e fibras, além de um alimento composto 66% por cereais integrais e com zero gorduras trans. De fato, ele é rico nesses nutrientes, mas cabem algumas ressalvas.

A bolachinha matinal Belvita contém 14 gramas de açúcares adicionados a cada 100 gramas, um número bem próximo do limite de 15 gramas que a legislação brasileira usa para exigir o selo de advertência “alto em açúcar adicionado“.

Aliás, o açúcar é o terceiro ingrediente da sua lista de ingredientes, na frente de aveia, cacau, cevada e centeio — ou seja, conforme a ordem de aparição geralmente empregada em rótulos, há mais açúcar que a maioria dos “cereais” que dão nome ao produto.

Por fim, com seus emulsificantes (lecitina de soja, mono/diglicerídeos com ácido diacetil tartárico), corante caramelo e fermentos químicos, não dá para fugir do título de “ultraprocessado“.

Embalagem de iogurte Batavo Pense Zero Grego Tradicional, 100g. A tampa branca tem detalhes em azul-claro e escuro, com o logo Batavo e a imagem de uma mulher holandesa. Informa 0% lactose, 0% adição de açúcares e 70% menos gorduras totais. Um pote azul com iogurte branco cremoso aparece na parte inferior direita
Batavo Grego Pense Zero (Batavo/Reprodução)

7. Batavo Grego Pense ZERO — Nota: 48/100

A embalagem do Batavo Grego Pense ZERO destaca que ele carrega “70% menos gordura total” e que é feito “sem açúcar adicionado”.

Por outro lado, a lista de ingredientes traz ciclamato de sódio e aspartame, dois edulcorantes. Quer dizer que não há açúcar adicionado, mas o produto é adoçado quimicamente.

O aspartame está por trás da baixa nota recebida pelo produto. É que esse produto já foi alvo de muita polêmica.

Em 2023, muitos olhos se voltaram ao edulcorante após duas avaliações da OMS serem divulgadas simultaneamente.

A IARC o classificou como “possivelmente carcinogênico para humanos” (Grupo 2B), o que, de novo, significa: “evidência limitada de potencial carcinogênico; e não representa uma estimativa do risco decorrente do consumo nas quantidades habituais”, explica Dolinsky.

Ao mesmo tempo, mostra a nutricionista, o JECFA concluiu que não havia evidência convincente de efeitos adversos decorrentes da ingestão de aspartame, mantendo a ingestão diária aceitável de 0 a 40 mg por quilo de peso corporal ao dia.

Segundo a presidente do CFN, as avaliações não são necessariamente contraditórias: “a IARC avalia principalmente o perigo, ou seja, se uma substância pode, em determinadas circunstâncias, causar câncer; o JECFA avalia o risco, levando em consideração também a quantidade de exposição”.

Ainda assim, no Brasil, no mesmo ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar “evitar o consumo de qualquer adoçante“.

+Leia também: Adoçantes: novas dúvidas à mesa

Frasco vermelho de ketchup Heinz Tomato Ketchup Zero, com rótulo preto e dourado, um tomate vermelho e a informação Zero adição de açúcares e 373g em branco. A tampa é branca e está na parte inferior do frasco
Heinz Tomato Zero (Heinz/Reprodução)

8. Heinz Tomato Zero — 48/100

O ketchup Heinz Tomate Zero se orgulha por ser “zero açúcar”.

Na composição, porém, aparece a sucralose, o edulcorante usado para conferir sabor doce ao produto. Além disso, o ketchup chama atenção pela quantidade de sódio: são 360 miligramas a cada 100 gramas.

Para efeito de comparação, a OMS recomenda que adultos consumam menos de 2 mil miligramas de sódio por dia. Assim, 100 gramas do produto correspondem a 18% desse limite diário.

O ponto de atenção, portanto, está no conjunto da composição, pois, embora o ketchup não tenha açúcar adicionado, continua sendo uma preparação industrial com potenciais malefícios à saúde.

Embalagem de Rap10 Fit, pão tipo tortilha, com fundo azul e branco. A imagem mostra uma tortilha dobrada ao meio com ovos mexidos, pimentão e cebolinha, dentro de uma frigideira preta. Ao lado, cubos de queijo e um pote com pimentões picados. O pacote destaca Nova Embalagem, Nova Receita, Baixo em gordura e Contém 9 unidades
Rap 10 Fit (Bimbo Brasil/Reprodução)

9. Rap 10 FIT — Nota: 49/100

Na composição do Rap 10 “Fit” surgem aditivos como mono e diglicerídeos de ácidos graxos e ácido sórbico, além de uma quantidade elevada de sódio.

Os mono e diglicerídeos de ácidos graxos são emulsificantes, como os vistos aos montes no YOPRO. Eles são usados para melhorar a textura do alimento e são investigados quanto aos seus efeitos negativos sobre a microbiota intestinal.

Já o ácido sórbico é um conservante, utilizado para impedir ou retardar o crescimento de fungos e leveduras. O JECFA estabeleceu uma ingestão diária aceitável de até 25 miligramas por quilo de peso corporal por dia.

Ele pode fazer mal para alguns grupos de pessoas. “Indivíduos com histórico de alergias alimentares ou doenças hepáticas prévias devem buscar aconselhamento com um médico ou nutricionista sobre o consumo desse aditivo”, explica Dolinsky.

Barra de proteína Nutry Crispy sabor Cookies and Cream, embalagem azul com 30g, mostrando um pedaço da barra com cobertura de chocolate e recheio de biscoito, e a informação 9g de proteínas e com whey
Crispy Protein Bar (Nutry/Reprodução)

10. Nutry Crispy Protein Bar — Nota Yuka: 48/100

A embalagem da Nutry Protein Bar destaca a presença de “nove gramas de proteína”. Apesar disso, o produto conta com aditivos como dióxido de titânio e mono e diglicerídeos de ácidos graxos, além de bastante açúcar.

Ao todo, são 6,8 gramas de açúcar a cada 100 gramas.

Além disso, o dióxido de titânio é um corante usado para conferir ou intensificar a coloração branca dos alimentos. E ele também é cercado por controvérsias. 

Na União Europeia, seu uso como aditivo alimentar foi proibido em 2022, após uma avaliação da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluir que não era possível descartar uma preocupação com a possibilidade de a substância causar danos ao material genético.

A IARC também classifica o dióxido de titânio como “possivelmente carcinogênico para humanos”, mas quando há exposição por inalação, principalmente em contextos ocupacionais, o que não corresponde diretamente ao consumo do aditivo em alimentos.

No entanto, o JECFA chegou a uma conclusão diferente ao avaliar a exposição alimentar ao produto, considerando que ele não representava preocupação de segurança nas condições analisadas.

Em nota técnica publicada em 2024,  a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também informou que manteria o uso do dióxido de titânio autorizado em alimentos no Brasil.

De olho no rótulo

Dolinsky explica que expressões como “zero”, “baixo teor”, “fonte” ou “alto teor” não representam, por si só, uma avaliação global da qualidade nutricional de um produto.

“Um alimento ‘zero açúcar’, por exemplo, pode apresentar outras características que mereçam atenção, como teor elevado de sódio ou gordura saturada, ou ainda ser uma formulação ultraprocessada”, resume.

É por isso que é importante ir além do que está escrito frente da embalagem e ficar de olho nos ingredientes e na tabela nutricional dos produtos.

Ademais, a presença de um nutriente considerado desejável não neutraliza as outras características daquele alimento.

“Na prática, o nutricionista não avalia um alimento simplesmente perguntando ‘tem proteína?’ ou ‘tem fibra?’”, esclarece. Ele olha, diz a especialista, para o conjunto: os nutrientes presentes, a forma como o alimento foi produzido, a quantidade e a frequência com que é consumido e, principalmente, o papel que ele ocupa na vida da pessoa.

A presença de aditivos é, por si só, uma preocupação?

O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta que a base da alimentação seja constituída por alimentos in natura (obtidos diretamente de fontes vegetais ou animais) ou minimamente processados.

Há uma série de razões para isso. Por exemplo, a a proteína dos alimentos in natura costuma ser acompanhada de outros nutrientes importantes, como ferro, zinco e vitaminas.

De quebra, eles ajudam a compor uma alimentação variada e a formar hábitos alimentares saudáveis.

Já um shake de proteínas pode trazer algumas gramas a mais desse nutriente, mas nada além disso. Para piorar, costuma ter como companhia os aditivos usados na formulação industrial do produto.

É por isso que uma longa lista de ingredientes que nunca usaríamos em nossas cozinhas, como ácidos e emulsificantes, são um sinal de que um alimento é ultraprocessado e, certamente, pobre em valor nutricional.

Por isso, ela é uma informação relevante para a avaliação da qualidade global do produto, segundo a presidente do CFN.

No entanto, antes de classificar um alimento como “bom” ou “ruim” por causa dos aditivos, é preciso observar o conjunto: composição, teores de açúcares adicionados, sódio e gorduras saturadas, presença de fibras e proteínas, densidade energética, grau de processamento, quantidade e frequência de consumo.

Além disso, vale ficar de olho em qual alimento um snack ultraprocessado pode estar substituindo, reduzindo a qualidade geral da alimentação.

“Por isso, também é necessário cautela com aplicativos que transformam toda essa complexidade em uma única nota“, alerta Dolinsky.

Segundo a nutricionista, eles podem ajudar na leitura do rótulo, mas o algoritmo utilizado, os pesos atribuídos aos ingredientes e a qualidade das evidências consideradas precisam ser conhecidos para que se possa avaliar a validade da classificação.

A VEJA SAÚDE entrou em contato com as empresas citadas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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