Raízen – Recuperação Extrajudicial

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Raízen – Recuperação Extrajudicial

A Raízen vai emitir 14 bilhões de novas ações ordinárias a serem adquiridas pela Shell. O valor corresponde à conversão do aporte de R$ 3,5 bilhões em ações no valor de R$ 0,25 cada. O restante das novas ações ordinárias e preferenciais do plano será destinado à conversão de parte das dívidas dos bancos e detentores de títulos.

Dos R$ 61 bilhões de dívidas, pouco mais de R$ 30 bilhões dos créditos foram convertidos em novos instrumentos de dívida com vencimentos mais longos, novas taxas de juros e condições financeiras compatíveis com a capacidade futura de geração de caixa da companhia.
André Rocha

Credores

BNY (Bank of New York Mellon) é o principal credor da dívida da empresa. A instituição detém R$ 26,1 bilhões referentes a títulos da Raízen, com bônus e vencimentos de longo prazo. Na sequência, aparecem os chamados Bondholders Globais (R$ 7,5 bilhões), o agente fiduciário Pentágono SA (R$ 6,35 bilhões), a True Securitizadora (R$ 6,43 bilhões) e o banco BNP Paribas (R$ 4,2 bilhões). Outras instituições financeiras completam a dívida.

Debêntures respondem por R$ 13,8 bilhões da empresa em recuperação. A maioria dos investidores institucionais dos títulos, a exemplo dos fundos de pensão e fundos de investimento e dos bancos BTG, Porto Seguro e Citibank, optou pela preservação dos valores aplicados. Com isso, eles receberão 45% do valor em ações e os 55% restantes serão transformados em novas debêntures de longo prazo.

Ativos incentivados preexistentes vão preservar a isenção tributária para pessoas físicas. O modelo em questão vai oferecer um retorno de IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) + 9% ao ano, com vencimentos previstos para 2033 e 2035. “Para os investidores, a homologação representa um caminho estruturado para reduzir a pressão do endividamento, alongar pagamentos, receber novos recursos e preservar as operações”, diz Rafael Luzzin, especialista em direito empresarial do Benites Bettim Advogados.