BC reduz juros de novo e dá sinal ‘silencioso’ de que cortes continuam

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BC reduz juros de novo e dá sinal ‘silencioso’ de que cortes continuam

Mais fichas em novos cortes

Mas os termos e o tom do comunicado divulgado logo após o encerramento do Copom desta quarta-feira (16) fizeram com que aumentassem as fichas em uma extensão do ciclo de cortes para a reunião do início de novembro, exatos dez dias depois do possível segundo turno das eleições presidenciais, e até mesmo para a de dezembro.

Essa aposta na continuidade dos cortes não foi mais uma vez fornecida em termos claros pelo comunicado, no qual é informado que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”.

A senha para a construção dessa expectativa veio do fato incomum de um comunicado praticamente idêntico ao do Copom anterior, de agosto, quando a decisão também foi por um corte de 0,25 ponto. A repetição quase idêntica dos textos foi interpretada como um sinal “silencioso” de que os cortes continuam.

Se os comunicados do Copom costumam repetir parágrafos dos anteriores, é mais raro que essa repetição seja quase total, como agora em setembro. A repetição quase literal do comunicado de agosto em setembro chamou a atenção e deu a entender a não poucos que, se as condições econômicas, expressas por um ritmo mais lento da atividade e por uma tendência de alívio nas pressões inflacionárias, permanecem as mesmas, uma consequência natural seria a decisão por novos cortes à frente.

Alterações sutis

Sutis alterações inseridas no comunicado de setembro reforçaram a expectativa de que o “ciclo de calibração” — expressão do “coponês”, o idioma cifrado e cheio de iniciativas em que os documentos do BC são escritos, que designa a continuidade de cortes na Selic — terá prosseguimento.

Analistas acostumados a decifrar as sinalizações não escritas dos documentos do Banco Central notaram que, no segundo parágrafo do comunicado, aquele em que o Copom costuma resumir sua avaliação do cenário econômico, o colegiado mostrou mais convicção, de agosto para setembro, com os resultados da política restritiva de juros.