Conheça Catarina, a mais jovem leitora bilíngue do Brasil

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Conheça Catarina, a mais jovem leitora bilíngue do Brasil

Aos dois anos, a pequena Catarina Ritter aprendeu a ler sozinha. O fato surpreendeu os pais, Sara e Magno, uma vez que ela começou a ler sem nunca ter ido à escola ou ter passado por métodos tradicionais.

Natural de Redenção, no Pará, poucos meses depois de ter aprendido a ler em português, Catarina começou a ler em inglês. Com isso, ela recebeu o reconhecimento do RankBrasil, como a leitora bilíngue mais jovem do Brasil. 

A superdotação é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por potencial intelectual elevado, intensa curiosidade e alta capacidade de aprendizagem, assim como profundo envolvimento com temas de interesse, que pode ser acompanhada de alta sensibilidade e intensidade emocional. 

Ao Brasil Escola, Sara compartilha como foi o processo de descoberta da superdotação de Catarina, como é a rotina da filha e reforça a importância da assistência escolar para essas crianças. 

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Mais jovem leitora bilíngue do Brasil 

Catarina leu pela primeira vez, aos dois anos, placas de informações em um resort de cachoeiras que indicavam “Céu da Noiva”, “Luz da Lua”, entre outras frases.

Sara Ritter, mãe de Catarina, relata que ficou incrédula no momento, pensaram que ela havia decorado algo de algum desenho. Mas, naquela mesma semana, ela leu a palavra “vinho” no cardápio de um restaurante, o que confirmava que, de fato, ela sabia ler, uma vez que o termo não fazia parte do cotidiano dela.

Catarina com livro
Catarina gosta de livros de super-heróis e de inglês.
Crédito: Arquivo Pessoal.

A alfabetização de Catarina se deu de forma espontânea, sem ter sido mediada pelos pais ou por profissionais da educação. Sara relata que sua filha aprendeu a ler vendo as legendas de um desenho animado. “Ela conseguiu associar e criar conexões que permitiram estruturar todas as palavras.”

Poucos meses depois iniciou a leitura em inglês e demonstrou fluência também na língua inglesa. Segundo seus pais, Catarina imitava conversas e contava músicas em inglês antes mesmo de falar fluentemente em português.

Confira no vídeo abaixo um momento de leitura de Catarina:

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Superdotação

A condição de superdotação foi confirmada após a família submeter Catarina a um processo de avaliação com uma neuropsicóloga e uma neuropsicopedagoga, em Goiânia (GO).

Sara conta que teve que aguardar um tempo para fazer este processo, uma vez que, para realizar o padrão ouro de inteligência, a idade mínima é de dois anos e meio.

As profissionais recomendaram à família estimular os interesses da Catarina, compartilhar sobre a condição à escola e acompanhá-la ao longo do processo escolar, para que a instituição não a nivelasse somente pela idade física e sim, pela idade cognitiva.

Catarina com certificado de menção honrosa na Olimpíada de Inglês
Catarina com certificado de menção honrosa na Olimpíada de Inglês.
Crédito: Arquivo Pessoal. 

Quanto aos desafios, Sara destaca que é preciso estar atento aos sinais de avanços de Catarina, que ocorrem ao mesmo tempo, de forma orgânica e leve, mas de forma rápida. 

Também é necessário um auxílio emocional, já que crianças superdotadas tendem a ter maior sensibilidade e intensidade emocional. 

Para Sara Ritter, as escolas brasileiras, no geral, não estão preparadas para receber crianças com altas habilidades ou superdotação. 

A identificação de uma criança superdotada não é tão simples, e o auxílio de um profissional especializado é essencial. Helena Rinaldi Rosa, especialista em avaliação psicológica, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª edição, reforça que essas crianças precisam ser incentivadas, mas em equilíbrio com outras atividades da vida infantil. 

Sara destaca a importância da escola para esses casos.

“Uma escola, diretor, professores, coordenadores, todos no geral, possuem a capacidade de garantir e respeitar o processo de cada criança. O conhecimento sobre a condição retira o engessamento da educação tradicional e adapta de acordo com o necessário, que é o avançar/aceleração de conteúdos, complementação escolar, compactação escolar (retirada do que já se sabe) para evitar prejuízos emocionais à criança.”

Sara Ritter

Catarina e seus pais, Sara e Magno.
Magno e Sara com Catarina.
Crédito: Arquivo Pessoal. 

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Rotina de estudos e brincadeiras 

Catarina cresce em um ambiente com acesso a muitos livros, devido ao hábito de leitura dos pais. Os livros foram fundamentais para este processo, enfatiza Sara, que permitiram a identificação do caso de Catarina.

Hoje, com quatro anos, Catarina vai cedo para a escola pública. Está matriculada no segundo ano do ensino fundamental. Almoça com a família. Brinca, assiste televisão, faz o dever de casa e depois passeia. Ela frequenta aulas especializadas de inglês, português e matemática duas vezes por semana e faz prática de natação.

A leitura em casa é feita, em média, por 15 minutos por dia. Ela não possui hiperfocos em livros, conta Sata. Em grande parte do seu tempo livre, está brincando com blocos, quebra-cabeças, dança, canto, cozinha, de médica, de supermercado, de veterinária. Sem contar as brincadeiras com barro. 

Catarina ao ar livre
Catarina é de Redenção, no Pará.
Crédito: Arquivo Pessoal. 

Em relação aos seus interesses, a pequena paraense se interessa muito pela área médica. Segundo a mãe, quer ser radiologista. Ela gosta de invenções, de física e matemática. Além disso, é apaixonada por bandeiras.

Entre suas obras literárias favoritas, estão os livros de super-heróis, histórias da Spider Ghost e os livros de inglês.

Sara compartilha que a adaptação ao ambiente escolar foi muito simples e natural. Catarina sempre teve contato com crianças de todas as idades, é sociável, especialmente quando se sente pertencente e bem acolhida.

A mãe é grata aos colegas de classe, professores e equipe escolar, que são muito gentis com todo o processo de sua filha, o que facilita para que ela se sinta segura e confiante.

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Compartilhar vivências

Para falar do assunto e compartilhar a realidade vivenciada com a Catarina, os pais, Sara e Magno, criaram um perfil no Instagram (@catarinaritter.superdotacaosemmanual).

“Ela nos ensinou a entender que a vida não é uma caixa rígida, fechada, que é possível haver coisas e experiências incríveis independentemente do “roteiro, do padrão”, que o ser humano é algo único, com características únicas e que todos deveriam ter respeito a todas as condições “diferentes”. Como pai, ela gerou uma paternidade com expectativas muito diferentes de uma criança comum. Catarina tem percepção e sensibilidade muito avançadas da idade biológica.”

Em mensagem para famílias que também contam com crianças superdotadas, Sara reforça a importância de lutar pelos direitos educacionais, do respeito à condição, de incentivar os interesses, de abraçar e andar junto em cada etapa e de ser presente na vida dessas crianças.

“É fundamental para o desenvolvimento emocional sadio da criança que ela seja estimulada corretamente, sem tédio escolar, sem retaliações, simplesmente por serem quem são. Elas merecem ter espaço para existirem, sem nenhuma poda, evitando assim, baixo interesse escolar, depressão, ansiedade”, completa.

Catarina e sua família
Sara e Magno com seus filhos Enzo, Catarina e Ângelo.
Crédito: Arquivo Pessoal. 

Junto com Yuri Machado, médico psiquiatra e também superdotado, Sara e Magno criaram a Associação Paraense de Altas Habilidades e Superdotação (ASPAS). A instituição atua no desenvolvimento de ações e iniciativas em prol da comunidade de pessoas superdotadas. Entre as atividades estão xadrez, clube de leitura, oficinas de artesanato, agricultura e empreendedorismo. Mais informações podem ser consultadas no perfil @aspassuperdotacao

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Por Lucas Afonso 
Jornalista