No encontro virtual, foram ouvidos os juristas José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Miguel Reale Júnior, Oscar Vilhena e Patricia Vanzolini. Do lado do empresariado, estavam também Horacio Lafer Piva, acionista da Klabin, e economistas como Arminio Fraga, André Lara Resende e Pedro Malan.
Segundo um dos participantes, além da reforma do Judiciário, a discussão girou em torno da necessidade de que todos os envolvidos nos últimos escândalos sejam investigados, incluindo membros do STF.
“Não é que tem que derrubar o [ministro Alexandre de] Moraes. É que não se pode deixar de investigar todos os fatos.” Outro presente na reunião ouvido pela reportagem classificou a atual crise institucional como a maior da “nossa geração”, ponderando que havia nascido após o golpe militar de 1964.
Novos encontros devem ser convocados para debater os desdobramentos da crise. Na noite de quarta-feira, após a reunião, a leitura era de que as medidas adotadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, haviam amenizado os problemas. O ministro suspendeu as decisões de seus colegas André Mendonça e Flávio Dino de, respectivamente, afastar e reintegrar a cúpula da PF.
Nesta quinta-feira, porém, o anúncio de que Moraes faria um pronunciamento acendeu o sinal de alerta entre os participantes da reunião. A fala do ministro foi posteriormente cancelada.
Walter Schalka: ‘Queremos que se restabeleça as funções de cada um dos poderes da República’
A reunião não foi a primeira medida adotada pelos líderes do mundo corporativo. Também na quarta-feira, empresários publicaram um manifesto no jornal O Estado de S. Paulo chamado “Pela lei e pelo Brasil”. Nele, pediram “apuração completa dos fatos, afastamento cautelar de quem for formalmente investigado e código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação e acusação”. Entre os quase 160 signatários estavam nomes como Luiza Trajano (presidente do conselho do Magazine Luiza), Pedro Wongtschowski (ex-presidente do conselho de administração do Grupo Ultra), Candido Bracher (ex-presidente do Itaú Unibanco), Walter Schalka (ex-CEO da Suzano) e Paulo Kakinoff (CEO da Porto).
