Nem toda perda de memória é Alzheimer: conheça outros tipos de demência

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Nem toda perda de memória é Alzheimer: conheça outros tipos de demência

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Quando uma pessoa idosa começa a apresentar alterações cognitivas, é comum que familiares pensem imediatamente em Alzheimer. Embora essa seja a causa mais frequente de demência, ela está longe de ser a única.

Na realidade, demência não é uma doença específica, mas uma síndrome causada por diferentes enfermidades que comprometem o funcionamento do cérebro. Algumas afetam principalmente a memória. Outras começam alterando o comportamento, a linguagem, a personalidade ou até provocando alucinações.

Reconhecer essas diferenças é essencial, porque o diagnóstico correto influencia diretamente o tratamento, o acompanhamento e a orientação da família.

Demência é um grupo de doenças, não um único diagnóstico

A doença de Alzheimer continua sendo a forma mais comum de demência e costuma iniciar com dificuldades progressivas de memória recente, acompanhadas, ao longo dos anos, de alterações em outras funções cognitivas. Mas existem outros tipos importantes.

A demência por corpos de Lewy, por exemplo, pode se manifestar com alucinações visuais bem definidas, oscilações importantes da atenção ao longo do dia e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, como rigidez e lentidão dos movimentos.

Já a demência frontotemporal costuma aparecer mais cedo do que o Alzheimer e frequentemente começa com mudanças marcantes de comportamento. Pessoas antes reservadas podem tornar-se impulsivas, perder a empatia, apresentar atitudes socialmente inadequadas ou desenvolver alterações importantes da linguagem.

Também existe a demência vascular, relacionada a lesões provocadas por pequenos ou grandes acidentes vasculares cerebrais. Nesses casos, controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo faz parte do tratamento.

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Há ainda condições que podem provocar alterações cognitivas e serem confundidas com demências neurodegenerativas. Uma delas é a hidrocefalia de pressão normal (HPN), caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano no cérebro e que costuma se manifestar pela combinação de alterações da marcha, comprometimento cognitivo e incontinência urinária.

O cantor e compositor Chico Buarque tornou público seu diagnóstico de HPN, condição que merece atenção justamente porque, diferentemente de muitas doenças neurodegenerativas, pode responder ao tratamento, com possibilidade de melhora dos sintomas em pacientes adequadamente selecionados.

Embora todas provoquem comprometimento cognitivo, cada uma apresenta características próprias e evolui de maneira diferente.

+Leia também: Demência não é tudo igual: saiba quais tipos existem e como diagnosticar

Nem toda demência começa pela memória

Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes. Muitas famílias procuram atendimento dizendo que “a memória está boa”, mas percebem mudanças importantes de personalidade, dificuldade para encontrar palavras, alterações de comportamento ou episódios de confusão. Esses sintomas também podem representar uma doença neurodegenerativa.

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Casos envolvendo figuras públicas ajudam a mostrar como diferentes doenças podem estar por trás de quadros de demência. O ator Bruce Willis e o jornalista Maurício Kubrusly, por exemplo, foram diagnosticados com demência frontotemporal, doença que pode afetar de forma importante o comportamento e a linguagem.

No caso do ator Robin Williams, a autópsia realizada após sua morte revelou demência por corpos de Lewy, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem diagnóstico de doença de Alzheimer.

Mais recentemente, o especialista em aviação e criador do canal Aviões e Músicas, Lito Sousa, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma doença priônica rara e rapidamente progressiva que pode provocar declínio da memória, comprometimento de outras funções cognitivas e alterações motoras.

No caso de Lito, a família informou que ele permanece lúcido, apesar do avanço dos comprometimentos físicos.

Os exemplos mostram por que a palavra “demência” não deve ser usada como sinônimo de Alzheimer. As doenças que podem produzir comprometimento cognitivo têm causas, manifestações e velocidades de progressão muito diferentes, e reconhecer essas particularidades é parte fundamental do diagnóstico.

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O diagnóstico correto muda o tratamento

Identificar o tipo de demência vai muito além de dar um nome à doença. Alguns medicamentos utilizados na doença de Alzheimer podem beneficiar determinados pacientes, mas apresentam pouca eficácia em outras demências.

Por outro lado, existem situações em que certos remédios podem agravar sintomas específicos, especialmente em pessoas com demência por corpos de Lewy, tornando ainda mais importante uma avaliação especializada.

Além do tratamento medicamentoso, o diagnóstico correto permite orientar melhor os familiares sobre a evolução esperada, planejar adaptações na rotina, organizar os cuidados futuros e oferecer suporte adequado ao paciente.

Hoje, exames de imagem, testes neuropsicológicos e, em casos selecionados, biomarcadores ajudam a aumentar a precisão diagnóstica, permitindo uma abordagem cada vez mais personalizada.

Conhecer a doença é o primeiro passo para cuidar melhor

O envelhecimento da população faz com que os casos de demência aumentem em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a neurologia avança rapidamente na compreensão dessas doenças, mostrando que elas não podem mais ser tratadas como um único problema.

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Quanto mais cedo alterações cognitivas, de comportamento ou de linguagem forem reconhecidas, maiores são as possibilidades de estabelecer o diagnóstico, controlar sintomas, planejar o tratamento e preservar a qualidade de vida do paciente e de sua família.

Mais importante do que perguntar “será que é Alzheimer?” É entender que existem diferentes tipos de demência, e que cada um deles exige uma abordagem própria.

*Marcelo Zalli é neurologista, professor titular de neurologia na Universidade do Vale do Itajaí, membro da Brazil Health

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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