O PL reproduziu um breve discurso com voz que parecia ser do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao exibir uma sequência de imagens durante convenção do partido em Santa Catarina, neste sábado (1°), e que contou com a presença do candidato a presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL-SC).
O encontro oficializou a candidatura do governador Jorginho Mello (PL) à reeleição no estado e as candidaturas de Carlos Bolsonaro (PL) e Carol de Toni (PL) ao Senado.
Antes do discurso de Flávio, foi exibido um vídeo nos telões que mesclou imagens genéricas, como de trabalhadores brasileiros, junto a fotos do próprio Jair Bolsonaro e também com seus filhos, incluindo imagens que aparentavam terem sido geradas por IA (inteligência artificial).
A voz que narrava a transmissão parecia ser de Jair Bolsonaro, mas não chegou a se identificar nominalmente como sendo do ex-presidente. O texto, narrado em primeira pessoa, mencionava passagens pessoais da vida do ex-mandatário.
“No momento mais difícil da minha vida, eu só pedia que Deus não deixasse órfã a minha filha de 7 anos”, dizia um trecho —depois de ter sido exibida imagem de Bolsonaro após o atentado à facada em 2018.
Luiz Magno, advogado do PL-SC, afirmou à reportagem que o vídeo usou um pronunciamento antigo de Bolsonaro. A organização do evento e a assessoria da campanha de Flávio não confirmaram se a voz é original, se foi simulada, ou gerada por IA.
Trechos do discurso são semelhantes a um pronunciamento de 2019 do então presidente.
No sábado passado (25), na convenção nacional do partido em São Paulo, um vídeo com a imagem e voz de Jair Bolsonaro e que se apresentava como tendo sido gerado por IA foi exibido ao público. O ministro Alexandre de Moraes pediu explicações, e a defesa do ex-presidente disse que ele não autorizou o uso da imagem. Eventual anuência do ex-presidente poderia gerar retorno dele à Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar.
Durante a convenção Flávio e Carlos reclamaram da proibição de visitas a Bolsonaro. Flávio disse que o pai está censurado e incomunicável, e comparou a situação ao AI-5 (Ato Institucional nº 5), medida que em 1968 endureceu a ditadura militar brasileira.
O ex-presidente tem restrição de visitas e de uso de redes sociais. No último dia 13, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes o proibiu de receber por 90 dias visitas de Flávio, após o senador divulgar carta assinada pelo pai.
“A família está proibida de ver o próprio pai. Ficou também censurado, incomunicável e sem poder ver sua família. Até Antonio Gramsci, no fascismo da Itália, pôde receber visita no cárcere”, disse Flávio.
O senador também chamou o presidente Lula (PT) de “projeto de ditador”. “O Lula não vai se criar porque a gente vai demitir ele em outubro desse ano”, afirmou.
Carlos Bolsonaro disse que o irmão Flávio abre mão “de uma vida extremamente confortável” ao ser candidato a presidente, “para colocar a sua cara e correr o mínimo risco de não sair vitorioso”. O candidato a senador disse que, se eleito, vai lutar a favor dos envolvidos no ataque golpista de 2023, a quem chamou de “presos políticos do 8 de Janeiro”.
“Eu sou Jair Bolsonaro. Eu sou uma inteligência artificial? Sou um programa de outra dimensão? Vão tentar me calar, me denegrir, me destruir, me esculhambar, porque eu sou Jair Bolsonaro? Não vão conseguir”, disse Carlos.
A semana de Flávio terminou com o revés imposto pelo PP, que anunciou na sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial, eliminando a chance de a senadora Tereza Cristina (MS) ser vice na chapa.
As recusas de PP e União Brasil e as prováveis rejeições de Republicanos e Podemos a uma aliança com o senador fazem com que o principal candidato de oposição ao presidente Lula (PT) chegue ao fim do período de convenções partidárias, em 5 de agosto, sem aliança com nenhum partido expressivo.
Durante a manhã, Flávio participou da convenção do Republicanos em São Paulo, que confirmou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição.
Santa Catarina é alvo de investida da família. Filhos de Jair Bolsonaro, Jair Renan (PL), vereador de Balneário Camburiú, é candidato a deputado federal, e Carlos, ex-vereador pelo Rio de Janeiro, licenciou-se e mudou de domicílio eleitoral no ano passado para concorrer a senador.
A composição das chapas para o Senado em Santa Catarina foi motivo de atrito entre aliados do ex-presidente. Em fevereiro a direção do PL havia definido que os dois nomes ao Senado em Santa Catarina seriam Carlos e Esperidião Amin (PP), o que foi comunicado a Carol de Toni, que chegou a anunciar a sua saída do partido. Mas a intervenção de Jair Bolsonaro encerrou a dúvida a favor de chapa pura do PL.
