Tudo isso no mesmo país. Tudo isso ao mesmo tempo.
Quem voltasse provavelmente perguntaria: O que aconteceu com o Brasil? Nós, que estivemos aqui todos os dias, talvez precisemos responder a outra pergunta: Quando foi que começamos a achar tudo isso normal?
Trinta anos são tempo suficiente para aprender.
Nesse período, vimos escândalos envolvendo governos, partidos, algumas das maiores empreiteiras do país, um dos maiores grupos de proteína animal do mundo e, agora, um banco. Houve confissões, acordos de colaboração, condenações e multas bilionárias. Depois, tribunais reconheceram ilegalidades e excessos em parte daqueles processos, e condenações foram anuladas.
Passamos anos discutindo quem era herói e quem era bandido. Mas deixamos de fazer a pergunta mais importante: O que aprendemos com tudo isso? Talvez tenhamos aprendido a achar normal. E aqui chego ao terreno que conheço melhor.
Passei boa parte da minha vida liderando empresas e convivendo com conselhos de administração. Aprendi que, diante de uma decisão difícil, existe uma pergunta indispensável: É legal? Está dentro da lei? Mas essa nunca deveria ser a última pergunta de um líder. É ético? É moralmente aceitável? É adequado para quem ocupa aquela posição?
Em um conselho sério, quando existe conflito de interesses, não basta perguntar se a lei permite. Quem tem interesse direto no tema sai da sala, e quem fica decide às claras. Imagine que se conclua que não houve nenhuma ilegalidade naquele contrato. Ótimo. A questão jurídica estará respondida.
Mas a questão ética estará? Legalidade é o chão, não o teto.
