Sem ajuste fiscal pós-eleição, juros podem ir a 20% ao ano no pior cenário

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Sem ajuste fiscal pós-eleição, juros podem ir a 20% ao ano no pior cenário

Permanece a necessidade de um ajuste fiscal relevante para a estabilização da dívida pública. Itaú BBA, em relatório

Dívida brasileira não para de crescer. Com os gastos da pandemia, ela passou de 74,4% do PIB em 2019 para 86,9% em 2020, mas recuou para 71,7% em 2022, quando voltou a subir até atingir 81,9% do PIB em 2026. Esse avanço se deve à combinação de déficits fiscais sucessivos com o encarecimento dos juros básicos da economia (hoje em 14% ao ano), elevando o valor total da dívida para R$ 10,8 trilhões, segundo o Banco Central.

Equilibrar o orçamento exigirá metas tão impopulares que devem ficar para depois da eleição. Para que a dívida pública pare de crescer, a União precisará economizar anualmente 2,1% de toda a renda do país, calcula o BTG Pactual, o que não acontece desde 2004, lembra o Morgan Stanley. Para isso, o governo teria de cortar despesas fixas, como aposentadorias e pensões, o que exigiria mudanças na Constituição. “Seria desindexar ou desacelerar a expansão desses números, talvez vinculando o reajuste ao projeto de um arcabouço fiscal novo”, sugere Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.

Vitória de qualquer candidato será avaliada pelo compromisso dele com a responsabilidade fiscal, diz XP Investimentos. Se o próximo presidente não demonstrar disciplina orçamentária, a desconfiança vai elevar as taxas de juros, derrubar o valor do real e frear o crescimento da economia, projeta a instituição. “A importância é explicada, principalmente, pela deterioração observada nas contas públicas do país nos últimos anos, e pelos impactos da piora fiscal em fatores como inflação, juros e crescimento econômico”, escreve a XP.

Uma “crise” estaria se formando no Brasil, diz casa de análise. “Em nossa visão, é uma crise silenciosa: as taxas de juros já estão em níveis de crise passadas (como 2014/15), e o Tesouro está tendo que ajustar os leilões de títulos (como em momentos de crise)”, afirma a Eleven Financial Research sobre a venda de aproximadamente R$ 1,1 trilhão em papéis da dívida pública para bancos e fundos de investimento só este ano para conseguir dinheiro emprestado.

Se os candidatos forem claros durante a campanha, o mercado pode até se acalmar. No caso do presidente Lula (PT), que tenta se reeleger, “teria de ser um cavalo de pau em seu discurso”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos. “Para outros — que gozam de mais credibilidade neste sentido — apenas sinalizar compromisso já é suficiente, desde que tenham boas chances de vencer. Isso, hoje, só se aplica ao senador Flávio [Bolsonaro, PL-RJ].”